Mulheres recebem 21,3% a menos que homens no Brasil
Em 2025, a mulheres brasileiras receberam em média 21,3% a menos que os homens no setor privado com 100 ou mais empregados, aponta relatório divulgado hoje pelo Governo brasileiro.
O percentual registrado representa uma alta em relação a 2023 - primeiro ano do levantamento -, quando a média registada era de 20,7%.
Os dados foram divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, em parceria com o Ministério das Mulheres, e constam no 5.º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios;
Em 2023, o Governo federal sancionou uma lei que reforça a igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre homens e mulheres, e desde então tem feito esse mapeamento nas empresas.
Os dados têm como base a Relação Anual de Informações Sociais e abrangem cerca de 53,5 mil estabelecimentos com 100 ou mais empregados.
O documento mostra que em 2025, o salário médio das mulheres no momento da admissão esteve cerca de 14,3% abaixo do registrado para os homens, percentual igualmente superior aos 13,7% contabilizado em 2023.
Apesar de a desigualdade salarial não ter apresentado redução, a participação das mulheres cresceu 11% no mercado de trabalho formal.
No caso de mulheres negras, houve crescimento de 29% de empregos formais, quando comparado com 2023.
Em números isso representa 3,2 milhões, em 2023, para 4,2 milhões, em 2025, o que perfaz mais de 1 milhão de novas contratações de mulheres negras.
O levantamento aponta ainda que a diferença salarial varia de acordo com o porte das empresas brasileiros.
Nas empresas com até 250 empregados, a remuneração de admissão das mulheres se aproxima mais da dos homens, alcançando 90% de equivalência.
"Já nas empresas de maior porte, onde os salários são mais altos, a distância remuneratória permanece mais acentuada", destaca o relatório.
Segundo os dados, a massa de rendimentos do público feminino, que é a soma total dos rendimentos como salários e honorários, subiu de 33,7% para 35,2%.
Ainda assim, o Governo brasileiro calcula que, para equiparar ao valor recebido pelos homens, seria necessário um acréscimo de 95,5 mil milhões de reais (16,2 mil milhões de euros) por ano para a remuneração feminina
"Essa equiparação elevaria em mais de 10% a massa total de rendimentos do país, demonstrando que a promoção da igualdade salarial também impulsionam o crescimento económico e a distribuição de renda", diz o relatório.
Apesar disso, lembrou o Ministério do Trabalho e Emprego, em comunicado, aumentar a massa em 10,6% "representa custo para as empresas, o que as torna mais resistentes a promover essas mudanças".
Para a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, ainda é necessário avançar na equiparação salarial e em outros aspetos.
"As mulheres ainda se ressentem muito de todos esses processos que as discriminam, que as inferiorizam, que as subalterniza por vários interesses e, principalmente, pela cultura ainda misógina, machista", sublinhou durante o lançamento do relatório
"A gente tem que trabalhar muito mais, tem que dialogar muito mais, tem que se juntar a todas as confederações, as entidades, as instâncias federativas", endossou.