Portugal chama embaixador de Israel e garante proteção consular a portugueses na flotilha
O ministro dos Negócios Estrangeiros português disse hoje que o embaixador israelita foi chamado para dar explicações sobre a detenção de ativistas pró-palestinianos, garantindo que as autoridades consulares estão preparadas para acolher os portugueses, na Grécia ou em Israel.
"Nós temos as nossas autoridades consulares em Telavive e em Atenas a fazerem todas as diligências para darem a proteção consular a estes ativistas que terão sido detidos, e eventualmente a outros que possam vir a ter problemas com Israel", disse Paulo Rangel, ao referir-se à interceção pelas forças israelitas da Flotilha 'Global Sumud' que pretendia chegar à Faixa de Gaza.
Em declarações à agência Lusa à margem da participação no Fórum Portugal Nação Global, que terminou hoje em Lisboa, o ministro salientou também que, como a flotilha foi detida em águas internacionais, o representante da diplomacia israelita em Lisboa foi chamado para dar explicações ao Governo português, à semelhança do que aconteceu noutros países europeus.
"Como houve esta operação em águas internacionais, dei instruções e já foi chamado o embaixador de Israel para dar explicações junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros", afirmou Rangel, acrescentando que "toda a proteção diplomática está ativada, aliás já tinha sido ativada preventivamente, mas está neste momento ativada nas duas capitais [Telavive e Atenas], onde ela pode ter efeitos favoráveis aos nossos cidadãos".
Os 175 ativistas que foram detidos durante a incursão do exército israelita iriam para Telavive, mas a hipótese de serem entregues a Atenas foi confirmada entretanto pelo ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, que anunciou um acordo com o Governo grego.
Na noite de quarta-feira, o exército israelita surpreendeu a Flotilha 'Global Sumud' quando esta estava em águas internacionais, a 1.200 quilómetros do destino final, a Faixa de Gaza.
Pelo menos três portugueses participam na flotilha, avançou hoje o Governo português.
O resultado foi a interceção de 22 dos 58 navios de vários países que compunham a missão e a detenção de 175 ativistas de diferentes nacionalidades, segundo números atualizados citados pela agência espanhola EFE.
Vinte e seis navios da flotilha que conseguiram escapar da incursão noturna do exército israelita estão ancorados a sul da Grécia, segundo o radar instalado pela organização da iniciativa. Outras dez embarcações navegam na zona da interceção.
A flotilha partiu no passado domingo do porto italiano de Augusta (sul) com o objetivo de atravessar o Mediterrâneo e chegar à Faixa de Gaza para entregar ajuda humanitária à população palestiniana.
"Portugal está neste momento a desenvolver todos os esforços de proteção consular para todos os portugueses que estejam envolvidos como ativistas nesta flotilha e, portanto, que tenham sido objeto de detenção ou possam vir a ser", salientou Paulo Rangel, apontando que nenhum dos ativistas avisou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da iniciativa.
"Nenhum português até ontem [quarta-feira] tinha dito que estava na flotilha, embora Portugal tivesse feito ontem mesmo uma diligência preventiva junto do Governo de Israel para dizer que se houvesse portugueses na flotilha, coisa que nós não tínhamos confirmação se existia, mas achávamos que poderia existir dado o número de participantes, que era importante que eles pudessem ser tratados com toda a dignidade, caso os procedimentos anteriores se repetissem", vincou.
E prosseguiu: "O nosso consulado e a nossa embaixada em Telavive ativaram diretamente a proteção diplomática e consular destes cidadãos que se esperava que chegassem a Israel eventualmente no sábado, uma vez que tinham sido recolhidos em águas internacionais ilegalmente por um barco israelita".
"A verdade é que há, entretanto, notícias de que eles serão desembarcados na Grécia e, portanto, também já ativámos a nossa embaixada em Atenas para verificar se este desembarque vai verificar-se e assim que ele se verifique, como é que podemos resgatar esses portugueses de forma a que eles possam vir para Portugal, enfim, em bom estado de saúde e nas melhores condições", concluiu.
Desde o frágil cessar-fogo que entrou em vigor em outubro passado na Faixa de Gaza, o exército israelita controla mais de metade do pequeno território palestiniano costeiro, onde o acesso à ajuda humanitária continua a ser amplamente restringido.