Poupar eletricidade com painéis solares
A instalação de painéis solares permite reduzir a factura mensal da electricidade, mas apenas um sistema fotovoltaico bem dimensionado é rentável. A DECO PROteste fez as contas para a instalação de um sistema fotovoltaico ajustado ao perfil de consumo de um casal que vive numa moradia de um piso e quatro assoalhadas, e verificou que é possível poupar mais de 350 euros anuais na factura da electricidade.
Para exemplo, a DECO PROteste usou uma moradia, de um piso e quatro assoalhadas, na zona do Porto, renovada em 2005 e com um nível baixo de isolamento térmico. Todos os equipamentos existentes são eléctricos e já com alguns anos. Na casa vive um casal que se encontra em teletrabalho e que gasta 4845 kWh anuais de electricidade.
Tal implica uma despesa anual de 969 euros e 1.744 kg de emissões de dióxido de carbono (CO2). Foi estimado que, durante o ano, o consumo em períodos com luz solar era de 2.100 kWh. Para fazer face a este gasto, concluiu-se que são necessários quatro painéis. Foram estimados os custos e as poupanças de três soluções distintas, fazendo variar a quantidade de inversores.
Considerou-se, ainda, que 70% da energia produzida é consumida e os restantes 30% são injectados gratuitamente na rede. Quanto aos custos do sistema, os valores referem-se só aos painéis e inversores. Não incluem instalação, fixações e outros dispositivos.
| Sistema Fotovoltaico | Potência instalada (watts) | Custo total (euros) | Produção aanual (kWh) | Custo anual de energia (euros) | Poupança anual (euros) | Retorno do investimento | Emissões |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 4 painéis + 2 microinversores | 1.760 | 1.938 | 2.684 | 593 | 376 | 5 | 1.068 |
| 4 painéis + 1 microinversor | 1.400 | 1.848 | 2.570 | 609 | 360 | 5 | 1.097 |
| 4 painéis + 4 microinversores | 1.160 | 2.246 | 2.570 | 609 | 360 | 6 | 1.097 |
Conclui-se que, para este exemplo, a solução mais rentável é a instalação de quatro painéis com dois microinversores. Embora não seja a opção mais barata, é a que garante maior produção e aproveitamento de electricidade, o que permite reduzir a dependência da rede eléctrica pública e das emissões de CO2.
Se o casal começar a trabalhar fora de casa e o consumo diário diminuir, haverá um elevado excedente de energia, que será injectado na rede. Existe a possibilidade de vender este extra, mas os preços praticados são baixos e, embora atenuem o período de retorno de investimento, não o farão de forma significativa.
Calcular consumo
O primeiro passo a dar por quem quer investir num sistema fotovoltaico é identificar o perfil de consumo. Para obter a informação de forma simples, o consumidor deve recorrer às faturas da electricidade, e subtrair à leitura real mais recente a registada no mesmo mês, mas do ano anterior, para obter uma estimativa do consumo anual.
Contudo, terá de perceber como aquele é distribuído ao longo do dia, dado que o sistema só irá produzir energia enquanto houver sol. Se já tiver contador inteligente, o consumo nas horas de sol pode ser obtido junto da Empresa de Electricidade da Madeira. Outra possibilidade passa por registar a leitura do contador às 8h e às 18h, todos os dias, durante duas semanas, incluindo o fim-de-semana. Após calcular o valor médio diário, multiplicando por 365, obtém-se o consumo anual em horas de sol.
Atenção que a ligação à rede elétrica tem de ser mantida, para garantir energia nos períodos sem sol, naqueles em que o consumo é superior à produção do sistema, ou em caso de avaria de algum componente.
Componentes
Dos vários componentes de um sistema solar fotovoltaico, destacam-se os próprios painéis e o inversor (ou microinversor). Os primeiros incluem células fotovoltaicas que captam a energia solar e a convertem em corrente eléctrica.
Por sua vez, o inversor transforma a electricidade produzida, de modo a ser consumida pelos equipamentos instalados numa casa. É a potência do inversor que determina a capacidade de produção do sistema. Tem ainda a capacidade de monitorizar a produção solar, para permitir tanto o autoconsumo como a injecção do excesso de electricidade na rede pública.
Os microinversores, apesar de terem menor capacidade, por serem instalados junto aos painéis, têm a vantagem de monitorizar individualmente a produção, sendo mais fácil detectar avarias ou quebras na produção. É essencial que o painel e o inversor sejam compatíveis.
Instalação
Antes de instalar o sistema fotovoltaico, o técnico tem de visitar o local, a fim de verificar a área disponível para os painéis e as suas características (orientação e inclinação) e a instalação eléctrica da habitação. Deve ainda garantir que não existem factores que possam afectar a produção, como sombreamentos indesejados.
O técnico deve analisar o perfil de consumo do agregado, para apresentar a solução mais adequada. Os consumos e hábitos diferem entre lares. Não é apenas o montante final da factura que ajuda a caracterizá-los.
Quando não há certeza do perfil de consumo, o melhor é começar por um sistema menor, que é à partida mais barato e mais rápido na recuperação do investimento inicial. Após monitorizar o consumo durante um período mínimo de seis meses, a situação pode ser reavaliada. Se se concluir que o sistema está subdimensionado, ou verificar que houve um aumento de consumos, há a possibilidade de expandir o sistema, para que dê resposta às necessidades da família.
Para a aquisição do sistema, é possível recorrer a um crédito específico para energias renováveis, com condições mais vantajosas do que o crédito pessoal sem finalidade. Embora todos os créditos ao consumo pratiquem as taxas máximas definidas pelo Banco de Portugal, quando a finalidade é o investimento em renováveis, a taxa anual de encargos efetiva global (TAEG) é bastante inferior. Todavia, é necessário comprovar o destino dos fundos, através de uma factura ou orçamento discriminado.