Autoridades chinesas atualizam em baixa número de vítimas de explosão em mina
As autoridades chinesas atualizaram em baixa, de 90 para 82, o número de mortos na explosão de gás ocorrida na sexta-feira numa mina da província de Shanxi, no centro da China.
Esta explosão terá provocado ainda 128 feridos e dois desaparecidos e está a ser apontada como um dos acidentes mineiros mais graves registados no país nos últimos anos.
Responsáveis do Gabinete de Gestão de Emergências da província indicaram que há duas pessoas em estado crítico e outras duas em estado grave, e precisaram que, após inúmeras verificações, foi determinado que o número de pessoas que se encontravam na mina no momento do acidente era de 247 e não de 124, como constava inicialmente no sistema de registo, segundo a agência oficial Xinhua.
O acidente ocorreu ao final da tarde de sexta-feira na mina Liushenyu, situada no distrito de Qinyuan, na cidade de Changzhi, e as autoridades ainda não detalharam as circunstâncias concretas em que a explosão ocorreu.
Entretanto, os trabalhos de resgate prosseguem no local do acidente, onde estão a ser utilizados robôs de inspeção subterrânea equipados com sensores de gás e câmaras para aceder a zonas onde as equipas de emergência não conseguem chegar.
Os robôs juntam-se aos 335 socorristas e 420 profissionais de saúde que se encontram na zona, onde a prioridade, de acordo com o Centro de Coordenação de Resgate criado na sequência do acidente, é realizar várias operações de busca subterrâneas para vasculhar toda a mina, segundo uma reportagem da televisão estatal CCTV.
Até ao momento, cinco membros das equipas de salvamento conseguiram chegar a zonas profundas dos túneis, mas os desabamentos e inundações no interior da mina estão a dificultar o avanço.
Um responsável do grupo Shanxi Tongzhou, a empresa proprietária da mina, encontra-se desde sábado "sob controlo das autoridades", uma formulação habitual na China para se referir a uma detenção por parte dos órgãos de segurança.
Após a notícia do acidente, o presidente chinês, Xi Jinping, pediu que se intensificassem as tarefas de busca, se prestasse assistência aos feridos, se investigassem as causas do incidente e se exigissem responsabilidades.
O vice-primeiro-ministro, Zhang Guoqing, deslocou-se ao local para supervisionar os trabalhos de resgate e a gestão pós-acidente.
Shanxi, com uma população de cerca de 34 milhões de habitantes distribuídos por uma superfície semelhante à Grã-Bretanha, é uma das grandes províncias carboníferas da China e, com uma produção de 1,27 mil milhões de toneladas de carvão bruto, desempenha um papel central no abastecimento energético chinês.
As minas de carvão, matéria-prima com a qual a China gera cerca de 60% da sua energia, continuam a registar uma elevada taxa de acidentes, embora, nos últimos anos, o número de casos mortais tenha diminuído significativamente.
O setor mineiro chinês registou mais de 3.000 mortes entre 2018 e 2023, um número que representou uma diminuição de 53,6% em relação ao quinquénio anterior, de acordo com dados oficiais.