Jovens do BE condenam declarações "desumanas" de Albuquerque sobre despejos
Os Jovens do Bloco de Esquerda Madeira, através de comunicado, condenam "de forma firme e inequívoca" as recentes declarações de Miguel Albuquerque sobre o despejo de inquilinos no dia seguinte ao incumprimento do pagamento da renda.
"Estas declarações são desumanas, perigosas e demonstram um total afastamento da realidade social vivida por milhares de madeirenses e porto-santenses. Mais do que uma frase infeliz, aquilo que Miguel Albuquerque fez foi assumir uma posição política que normaliza os despejos como resposta à crise da habitação", atiram os jovens.
Francisco Pinto afirma que "é impossível querer resolver a crise da habitação através de uma das suas consequências mais graves, os despejos". "Defender que alguém possa ser despejado imediatamente após falhar um pagamento revela uma profunda falta de sensibilidade social e uma completa incapacidade de compreender as dificuldades reais das famílias", assume o coordenador dos Jovens do BE Madeira.
As pessoas não deixam de pagar renda porque querem. Existem inúmeras razões pelas quais alguém pode não conseguir pagar uma renda a tempo. Pode acontecer porque existem senhorios oportunistas que aumentam os preços das rendas para valores incomportáveis. Pode acontecer porque uma família teve uma despesa imprevista relacionada com saúde, educação ou alimentação e ficou sem margem financeira. Pode acontecer porque o custo de vida aumentou de forma brutal e os salários continuam insuficientes para suportar todas as despesas essenciais. Pode acontecer porque há trabalhadores que ainda não receberam os seus salários devido ao incumprimento patronal e, por isso, não conseguem cumprir com os pagamentos naquele momento. Francisco Pinto
Para o coordenador, "reduzir toda esta realidade complexa a uma lógica de despejo imediato é desumano e indigno de quem ocupa o cargo de Presidente do Governo Regional". Além disso, denota mais gravidade na situação quanto "muitos jovens vivem numa situação permanente de insegurança habitacional". "Há jovens trabalhadores, estudantes e jovens casais que não sabem se conseguirão pagar a renda no mês seguinte ou sequer encontrar uma casa quando terminar o actual contrato de arrendamento. O mercado imobiliário na Madeira tornou-se incomportável para a maioria da população, profundamente inflacionado pela especulação imobiliária, pelo crescimento descontrolado do alojamento local, pela pressão de fundos imobiliários e pela compra de habitação por parte de estrangeiros não residentes", aponta.
"Miguel Albuquerque demonstra, mais uma vez, que parece governar para os interesses de quem lucra com a crise da habitação e não para aqueles que sofrem diariamente com ela", atira.
Os Jovens do BE consideram que a solução para a crise da habitação não está em acelerar despejos, "nem em perseguir quem enfrenta dificuldades económicas". "A solução passa pela fixação de tectos máximos para as rendas, pela construção de mais habitação pública, pelo reforço dos apoios ao arrendamento, pela imposição de limites ao alojamento local e pela restrição da compra de habitação por parte de estrangeiros não residentes quando essa prática contribui para a especulação e para o aumento artificial dos preços", indicam.
"No entanto, o Governo Regional continua a preferir derramar os recursos dos madeirenses em projetos megalómanos, campos de golfe e investimentos que pouco ou nada contribuem para melhorar a qualidade de vida da população da Madeira", termina.