A Madeira está preparada para o futuro?

A Madeira vive atualmente um período de grande visibilidade e crescimento. O turismo bate recordes, os hotéis enchem-se durante grande parte do ano e a região é frequentemente destacada como um dos melhores destinos do mundo. À primeira vista, parece que a Madeira atravessa uma fase de prosperidade e estabilidade. No entanto, por detrás dessa imagem positiva, existe uma questão importante que merece ser debatida: estará realmente a Madeira preparada para o futuro?

Nos últimos anos, o turismo tornou-se o principal motor da economia regional. É inegável que trouxe benefícios: criou empregos, atraiu investimento e dinamizou vários setores ligados à restauração, hotelaria e comércio. Contudo, também criou uma dependência perigosa. Uma economia demasiado centrada no turismo torna-se vulnerável a crises externas, como aconteceu durante a pandemia. Bastou o mundo parar durante alguns meses para muitas empresas enfrentarem enormes dificuldades. Uma região preparada para o futuro precisa de ter uma economia diversificada e menos dependente de um único setor.

Outro problema evidente é o custo de vida. Para muitos jovens madeirenses, trabalhar já não significa necessariamente conseguir construir uma vida independente. As rendas e os preços das casas aumentaram drasticamente, enquanto muitos salários continuam baixos. Há jovens licenciados que, apesar de trabalharem, não conseguem sair da casa dos pais nem planear o futuro com segurança. Esta realidade levanta uma questão séria: como pode uma região evoluir se os seus próprios jovens sentem que não conseguem ter estabilidade na terra onde nasceram?

A questão da saúde também merece atenção. A população está cada vez mais envelhecida e isso coloca maior pressão sobre hospitais, centros de saúde e serviços de apoio. O futuro exige investimento não apenas em infraestruturas, mas também em profissionais qualificados e em condições que permitam responder às necessidades de uma sociedade em mudança.

Além disso, a Madeira enfrenta desafios ligados à mobilidade e às acessibilidades. Sendo uma região insular, depende fortemente do transporte aéreo e marítimo. Apesar das melhorias verificadas ao longo dos anos, viajar continua muitas vezes caro e complicado para quem vive na região. Para uma ilha que pretende afirmar-se no futuro, as ligações ao exterior são fundamentais.

Por outro lado, preparar o futuro não significa apenas construir hotéis, estradas ou centros comerciais. Significa investir em educação, inovação, tecnologia e oportunidades para as novas gerações. Significa criar condições para que os jovens não sejam obrigados a sair da Madeira à procura de melhores condições de vida e trabalho.

A Madeira tem qualidades únicas: segurança, clima, beleza natural e capacidade de atrair pessoas de todo o mundo. Mas isso, por si só, não garante um futuro sólido. O verdadeiro desenvolvimento mede-se pela qualidade de vida da população e pela capacidade de criar oportunidades duradouras.

A Madeira pode ter um futuro promissor, mas esse futuro não deve ser construído apenas para quem visita a região durante uma semana de férias. Deve ser construído, acima de tudo, para quem cá vive todos os dias.

António Rosa Santos