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“Madeira Livre”

“Madeira Livre” é uma expressão que tem sido usada por políticos em contextos de defesa da Autonomia Regional, de crítica ao “centralismo” de Lisboa e é também, por vezes usada para “marcar” um momento de afirmação política da Madeira.

Recentemente, Miguel Albuquerque, apresentou no congresso do PSD/Madeira uma moção ao congresso sob o lema “Madeira Livre”. Questionaram alguns leitores: qual será o significado desta expressão.

Pois bem, ao contrário do que muitos poderão pensar, “Madeira Livre” não é sinónimo de separatismo, mas sim traduz a capacidade de decidirmos o nosso caminho dentro da República Portuguesa.

“Madeira Livre”, é a liberdade de sermos governados por quem conhece este território, a Nossa Gente, os seus problemas e responde perante eles todos os dias. Sendo assim, são necessários mais instrumentos legislativos para respondermos, sobretudo, a uma nova geração cada vez mais exigente. É termos a capacidade de adaptar as respostas que se exigem, e não esperarmos que Lisboa ou Bruxelas entendam, o que só NÓS podemos, verdadeiramente, entender.

“Madeira Livre”, é uma Madeira que conhece a sua história, que tem orgulho nas suas escolhas, mas que olha para fora sem complexos, sem muros, e sem ter de pedir “licença” ao Terreiro do Paço para potenciar o seu desenvolvimento integral.

Pedir “autorização” à República para ser ambiciosa, quando quer, por exemplo, desenvolver um instrumento de política fiscal e económica como é o Centro Internacional de negócios da Madeira, não faz nenhum sentido! Não termos a possibilidade de ter um sistema fiscal próprio, quando as receitas fiscais são, estatutariamente nossas, não é sermos livres.

“Madeira Livre” é, também, garantir que o Estado Central respeita e manifesta vontade em aprofundar a Nossa Autonomia. Que o seu aprofundamento, há muitos anos adiado, não fique constantemente dependente de “humores” de sucessivos Governos da República. Precisamos de mais poderes legislativos para “voar” mais alto e mais longe.

Devolver a tutela sobre o Nosso Mar e não aceitar que o Estado centralize, por exemplo, a gestão dos fundos comunitários para a agricultura e pescas é sermos “livres” na gestão desses recursos.

“Madeira Livre”, é termos um Modelo de Subsídio Social de Mobilidade que não seja encarado como uma “benesse” e muito menos social.

“Madeira Livre” é honrar, recordando parte de um discurso feito por um grande defensor da autonomia, da democracia e da liberdade. Um discurso, proferido a 9 de março de 1923, por um grande Senador madeirense, Vasco Gonçalves Marques, que aqui cito:

“São velhas as nossas razões de queixa. Desde sempre que a Madeira reclama, pede, insiste para que a dotem com aquilo de que necessita, e em vão espera pela hora da justiça. De tempos a tempos, para adormecer-lhes as iras, concediam-lhe uma parcela mínima das suas reclamações.”

Caras e caros leitores, passaram mais de cem anos, mas parece que foi ontem!

A Madeira Livre tem raízes. E continua, ainda hoje, a interpelar-nos.