Aeroporto da Madeira reforçado com 20 polícias
A PSP vai reforçar os aeroportos portugueses com 360 polícias em julho, medida que visa diminuir os tempos de espera dos passageiros de fora do espaço Schengen, revelou hoje à Lusa fonte oficial da Polícia de Segurança Pública.
O porta-voz da PSP, Sérgio Soares, avançou que estes 360 polícias fazem parte dos 560 novos agentes que vão acabar a formação a 28 de maio, iniciando logo de seguida o curso de guarda de fronteira que tem a duração de quarto semanas.
Os 360 novos polícias entram ao serviço nos aeroportos no início de julho, reforço que faz parte do plano de contingência da PSP para o verão.
Uma outra fonte policial indicou à Lusa que, dos 360 novos agentes, 150 vão ser colocados no aeroporto de Lisboa, 90 no Porto, 70 em Faro, 30 nos Açores e 20 na Madeira.
Do plano de contingência também faz parte, a partir de 29 de maio, o aumento do número de 'boxes' de controlo manual de fronteiras para melhorar a resposta operacional e reduzir o tempo de espera.
O novo sistema europeu de controlo de fronteiras entrou em funcionamento, em outubro de 2025, em Portugal, e nos restantes países do espaço Schengen e desde então os tempos de espera nas fronteiras aéreas agravaram-se, principalmente no aeroporto de Lisboa, com os passageiros a terem de esperar, por vezes, várias horas.
A mesma fonte adiantou ainda que a PSP para tentar diminuir as falhas técnicas e vai complementar a atual ligação ao sistema através do Wi-Fi 5G com uma rede fixa.
A introdução em 10 de dezembro de 2025 nos aeroportos portugueses da segunda fase deste sistema, denominado Sistema de Entradas/Saídas (EES), que consiste na recolha de dados biométricos, causou ainda mais constrangimentos no aeroporto de Lisboa, levando o Governo, no final do ano passado, a anunciar medidas de contingência neste Aeroporto. Nessa altura, o sistema foi suspenso por três meses e entretanto voltou a funcionar.
Este fim de semana a situação voltou a agravar-se, passando os constrangimentos a abranger também os aeroportos do Porto e de Faro.
Na segunda-feira, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, mostrou-se insatisfeito com a atuação dos serviços de controlo de fronteiras devido às longas filas de espera nos aeroportos e admitiu suspender a recolha de dados biométricos caso a situação continue.
Por sua vez, o Ministério da Administração Interna (MAI) recusou suspender durante o verão a aplicação nos aeroportos do novo sistema, embora admita que a recolha de dados biométricos possa ser interrompida em períodos limitados.
O EES é um sistema automatizado da União Europeia que substitui o carimbo no passaporte pelo registo digital de dados biométricos (foto e impressões digitais) para cidadãos não pertencentes à União Europeia e está a ser implementado na UE de forma faseada desde outubro de 2025, estando a funcionar a 100% desde 10 de abril.
Em dezembro de 2025, a Comissão Europeia realizou uma inspeção surpresa às fronteiras aéreas e marítimas de Portugal e detetou "graves deficiências" no controlo de fronteiras, particularmente no Aeroporto Humberto Delgado. O relatório final apontou 14 falhas críticas relacionadas com recursos humanos, falta de equipamentos e a simplificação sistemática de procedimentos de segurança.
A avaliação identificou também vulnerabilidades de segurança que afetam toda a área europeia de livre circulação.
O controlo de passageiros nas fronteiras aeroportuárias é da responsabilidade da PSP, competência que herdou em 2023 do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, enquanto as fronteiras marítimas são controladas pela GNR.
A implementação do sistema é assegurada pelo Sistema de Segurança Interna (SSI), em articulação com a PSP, a GNR, a ANA - Aeroportos de Portugal, as administrações portuárias e a Autoridade Nacional de Aviação Civil.