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150 anos Madeira

Madeirense com deficiência auditiva profunda tirou a carta de condução há 35 anos

‘Canal Memória’ ruma a 1991

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Foi em Abril de 1991 que, pela segunda vez, na Madeira, uma pessoa com deficiência auditiva conseguiu tirar carta de condução. Após dez anos, Manuel Policarpo Chaves alcançou o seu sonho.

Uma meningite na infância deixou-o sem ouvir, mas isso não impediu que o homem quisesse conquistar os seus sonhos. Natural do Faial, aos 8 anos mudou-se para o Funchal. Quando tirou a carta de condução, trabalhava no Centro Ortopédico do Funchal (Irmãos Machado) na Rua da Conceição.

Um dos sonhos de criança era “ter um carrinho”. No início ainda imaginava como seria, mas logo uma professora avisou-o que para ter carta de condução era preciso muita atenção. No entanto, não desistiu e tornou-se a segunda pessoa com deficiência auditiva profunda a tirar carta na Região.

A luta durou vários anos pois, embora tivesse um atestado médico e frequentasse 2 lições práticas e 15 teóricas com o instrutor Manuel de Freitas, passou no exame de código mas não lhe permitiram fazer o exame de condução porque não estava “habilitado” a ter carta. 

Posto isto, Policarpo recorreu à Associação Portuguesa de Surdos, passou por juntas médicas, tendo sido considerado “inapto”. Quando um amigo com o mesmo problema conseguiu tirar carta na Suíça, isso deu mais força ao madeirense.

“Eu sempre defendi que os surdos podem ter carta de condução. São pessoas que devido à sua condição desenvolvem os reflexos, tornando-os muito rápidos, para além de que estão sempre extremamente atentos”, explicava Manuel de Freitas, instrutor, na mesma reportagem publicada pelo DIÁRIO em 1991.

No início de 1991, o aluno submeteu-se a nova junta médica, que, finalmente, o autorizou a fazer o exame de condução. Fez o exame em Abril de 1991 e passou. “Em 20 minutos consegui aquilo pelo qual lutei durante dez anos. Quando o eng.º Freitas Branco disse que, finalmente, já podia contar com a carta de condução, não pude deixar de chorar”, recordou.