Líbano e Israel realizam segundo dia de negociações em Washington
Representantes de Israel e do Líbano iniciaram hoje o segundo dia de negociações de paz em Washington, após um mês de um cessar-fogo que não é reconhecido pelo grupo xiita Hezbollah e marcado pela persistência de confrontos.
Fontes do Departamento de Estado dos Estados Unidos, país anfitrião do diálogo Israelo-libanês, confirmaram às agências France-Presse (AFP) e EFE que a reunião foi iniciada, um dia depois das primeiras conversações, que duraram oito horas e que a diplomacia de Washington descreveu como "positivas e produtivas".
A delegação israelita é composta pelo embaixador nos Estados Unidos, Yechiel Leiter, e pelo vice-conselheiro de Segurança Nacional, Yossi Draznin, enquanto a parte libanesa é igualmente representada pela embaixadora em Washington, Nada Hamadeh, e pelo enviado especial Simon Karam.
Os Estados Unidos destacaram pelo seu lado o conselheiro do Departamento de Estado Michael Needham e os embaixadores em Israel, Mike Huckabee, e no Líbano, Michel Issa.
Israel e Líbano, que não têm relações diplomáticas, realizaram duas rondas de diálogo inicial na capital norte-americana, em 14 e 23 de abril, que resultaram num acordo de cessar-fogo nos ataques israelitas em território libanês.
No entanto, Israel continuou a bombardear o Líbano e as suas operações terrestres no sul do país, enquanto o Hezbollah prossegue os ataques contra o território israelita e as suas tropas.
O Presidente libanês, Josef Aoun, avisou, na véspera da primeira ronda de negociações de paz, que os ataques israelitas "estão a minar os esforços para consolidar a cessação das hostilidades".
O Hezbollah opõe-se a estas conversações e o seu líder, Naim Qassem, ameaçou que vai tornar os confrontos "num inferno" para Israel, que por sua vez avisou repetidamente as autoridades de Beirute que, se não desarmar nem controlar as milícias libanesas, irá fazê-lo no seu lugar.
O Líbano foi arrastado pelo grupo xiita apoiado e financiado pelo Irão para a guerra desencadeada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro contra a República Islâmica, ao reatar, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita.
Israel respondeu com bombardeamentos intensivos no Líbano e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do país vizinho durante o conflito anterior.
Desde 02 de março, pelo menos 2.882 pessoas foram mortas, incluindo 200 crianças, segundo o Ministério da Saúde libanês, em resultado dos ataques israelitas, que provocaram também mais de um milhão de deslocados.
Neste novo conflito, o exército israelita estabeleceu uma "linha amarela" no sul do Líbano, a cerca de 10 quilómetros da fronteira, e, segundo com o acordo de cessar-fogo, reserva-se "o direito de tomar, a qualquer momento, todas as medidas necessárias em legítima defesa".
O coordenador humanitário da ONU no Líbano, Imran Riza, considerou hoje que as negociações em curso representam uma "oportunidade única" para pôr fim à guerra, que provocou um número "inaceitável" de mortes civis.
"Os esforços diplomáticos oferecem uma oportunidade única para pôr fim à violência", disse Riza em comunicado, manifestando a esperança de que "as negociações em curso abram caminho a uma solução política".
O coordenador das Nações Unidas lamentou que "os ataques aéreos e as demolições continuam diariamente", provocando "um número inaceitável de vítimas civis, além dos danos infligidos nas infraestruturas".
O Conselho Nacional de Investigação Científica (CNRS) do Líbano indicou na quarta-feira que mais de 10 mil casas foram destruídas ou danificadas no Líbano desde o cessar-fogo de 17 de abril.
"Desde o cessar-fogo, verificámos que 5.386 casas foram completamente destruídas e 5.246 danificadas", indicou o diretor do CNRS, Chadi Abdallah, em conferência de imprensa.
As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra de Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e que foi interrompido com o início do conflito no golfo Pérsico.