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Guerra no Irão Mundo

Trump recusa concessões após última contraproposta de Teerão

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Foto EPA/Lusa

O Presidente norte-americano disse hoje que não está disposto a fazer concessões depois de ter recebido a mais recente contraproposta do Irão para pôr fim ao conflito entre os dois países.

Em breves declarações telefónicas ao jornal New York Post, Donald Trump afirmou que o Irão "sabe o que vai acontecer em breve", sem concretizar se estava a referir-se ao recomeço dos ataques dos Estados Unidos contra a República Islâmica.

O líder norte-americano tem manifestado frustração nas últimas semanas com respostas que considerou dececionantes do Irão sobre as negociações indiretas, mediadas pelo Paquistão, e nas quais reforçou ao New York Post não ter abertura para qualquer tipo de concessão.

A propósito de uma eventual proibição de 20 anos no enriquecimento de urânio pelo Irão, um dos temas centrais das negociações, deu a mesma resposta: "Não estou aberto a nada neste momento".

As declarações do Presidente norte-americano surgiram depois de o Irão ter respondido a uma nova proposta de Washington com o objetivo de quebrar o impasse diplomático e pôr fim à guerra.

"As nossas preocupações foram transmitidas ao lado americano", indicou, em conferência de imprensa, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baghai, acrescentando que as conversações continuam "através do mediador paquistanês".

O Irão, no entanto, está "totalmente preparado para qualquer eventualidade", acrescentou, em resposta às repetidas ameaças de Trump sobre o regresso ao uso da força militar.

O Irão reiterou as suas exigências, em particular, na parte relacionada com o descongelamento dos ativos iranianos no estrangeiro e o levantamento das sanções internacionais que estão a prejudicar a sua economia.

O porta-voz da diplomacia de Teerão insistiu ainda no pagamento de reparações pela guerra, que considerou "ilegal e sem fundamento".

No domingo, notícias veiculadas pelos meios de comunicação estatais iranianos apontavam "condições excessivas" impostas pelos Estados Unidos na última proposta.

A agência de notícias iraniana Fars avançou que Washington exige que o Irão mantenha apenas uma instalação nuclear ativa e transfira o 'stock' de urânio altamente enriquecido para os Estados Unidos.

A agência de notícias iraniana Tasnim, citando uma fonte anónima próxima da equipa de negociação de Teerão, relatou que, "ao contrário dos acordos anteriores, os americanos concordavam suspender temporariamente as sanções ao petróleo durante o período de negociação".

Ao mesmo tempo, o Irão formalizou a criação de um novo organismo, a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, para gerir a passagem no estreito de Ormuz.

A Guarda Revolucionária Islâmica, o exército ideológico iraniano, ameaçou cobrar pela utilização de cabos submarinos que atravessam o estreito, referindo que qualquer interrupção nesta infraestrutura custaria à economia global "centenas de milhões de dólares por dia".

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou, pelo seu lado, no domingo, que o seu país está "preparado para qualquer cenário" no Irão, antes de anunciar uma conversa com Donald Trump, agendada para o mesmo dia.

Pouco depois da chamada, Trump avisava, numa mensagem publicada na sua rede social, que "nada restará do Irão" se não assinar um acordo com os Estados Unidos.

"Para o Irão, o tempo está a esgotar-se e é melhor que ajam rapidamente ou não restará nada deles", declarou, no regresso à retórica de ameaças à República Islâmica.

As negociações entre Washington e Teerão para pôr fim à guerra, iniciada a 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel, não conheceram avanços desde a única ronda de conversações formal, no mês passado, em Islamabad.

O Irão continua a mantar sob ameaça militar o estreito de Ormuz, atingindo os preços globais de bens petrolíferos, enquanto os Estados Unidos impuseram um bloqueio naval aos portos iranianos como forma de asfixiar a economia da República Islâmica.

As partes mantêm um cessar-fogo desde 08 de abril para permitir negociações de paz, centradas no estreito de Ormuz, no programa nuclear e de produção de mísseis de longo alcance do Irão, bem como no apoio a grupos armados no Médio Oriente, e nos bens iranianos congelados e nas sanções internacionais contra Teerão.