Trump rejeita proposta iraniana e insiste em garantias sobre nuclear
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou hoje ter rejeitado a nova proposta do Irão para terminar o conflito, alegando ser "inaceitável", mas admitiu uma suspensão por 20 anos do programa nuclear iraniano.
"Li e não gostei da primeira frase, por isso descartei-a. Era uma frase inaceitável", declarou Trump aos jornalistas a bordo do Air Force One, após regressar de uma visita oficial à China, onde se reuniu com o Presidente chinês, Xi Jinping.
Apesar da rejeição da proposta iraniana, Trump admitiu que poderá aceitar um acordo que suspenda durante duas décadas o programa nuclear de Teerão, desde que existam garantias sólidas quanto ao cumprimento do compromisso.
"Precisamos de um nível de garantias para assegurar que são realmente 20 anos", explicou Trump.
O líder norte-americano reiterou ainda o objetivo de remover a chamada "poeira nuclear" resultante dos ataques às instalações nucleares iranianas, acrescentando que Teerão admitiu não possuir capacidade tecnológica para o fazer.
"Disseram que não a podem remover porque não têm a tecnologia", afirmou Trump, sustentando que apenas os Estados Unidos e a China dispõem dos meios técnicos necessários.
Trump voltou também a defender a ofensiva militar conduzida em conjunto com Israel contra o Irão, afirmando que os ataques resultaram numa "vitória militar total".
"Aniquilámos toda a sua Marinha, toda a Força Aérea, todo o armamento antiaéreo, todos os sistemas de radar, todos os líderes, todos os líderes de segundo e terceiro escalão", insistiu Trump.
O Presidente norte-americano acusou ainda vários órgãos de comunicação social de minimizarem o impacto da campanha militar e classificou como "traição" as notícias que sugerem que o Irão continua operacionalmente forte.
Trump disse também que aceitou o cessar-fogo de 08 de abril "a pedido de outros países", sobretudo do Paquistão, que atua como mediador entre Washington e Teerão.
Segundo o chefe de Estado norte-americano, o bloqueio imposto pelos Estados Unidos ao estreito de Ormuz tem sido "muito eficaz", reduzindo a necessidade de novas operações militares.
Os Estados Unidos e o Irão mantêm atualmente um processo de diálogo indireto mediado pelo Paquistão, embora as divergências entre ambas as partes tenham impedido até agora uma segunda ronda de negociações presenciais em Islamabad.
Teerão considera que o bloqueio do estreito de Ormuz e a apreensão recente de embarcações iranianas pelas forças norte-americanas constituem violações do cessar-fogo e comprometem o processo negocial.
Apesar disso, os contactos diplomáticos entre os dois países prosseguem através da mediação paquistanesa.