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Trump e Xi assinalam aproximação mas mantêm divergências sobre Taiwan e Irão

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Foto EPA

Os presidentes dos Estados Unidos e da China, Donald Trump e Xi Jinping, encerraram hoje em Pequim uma cimeira marcada por sinais de aproximação estratégica, apesar de persistirem divergências sobre Taiwan, Irão e o equilíbrio nuclear.

No regresso a Washington, a bordo do Air Force One, Trump afirmou que as conversações com Xi representaram "dois dias realmente ótimos" e disse acreditar que foi estabelecida uma relação "construtiva, estratégica e estável" entre as duas maiores potências mundiais.

Xi classificou a visita de Estado do líder norte-americano como "um marco" nas relações bilaterais.

Durante a deslocação, Trump e Xi discutiram extensamente a questão de Taiwan, considerada por Pequim como o principal ponto de fricção com Washington.

"O Presidente Xi e eu falámos muito sobre Taiwan", confirmou Trump aos jornalistas.

Segundo o líder norte-americano, Xi manifestou oposição a qualquer cenário de independência da ilha autónoma.

"Ele não quer ver uma guerra pela independência", explicou Trump, acrescentando: "Não comentei, apenas ouvi".

Trump disse ainda não ter tomado uma decisão final sobre uma importante venda de armamento norte-americano a Taiwan, já autorizada pelo seu Governo, mas ainda não concretizada.

A China opõe-se firmemente a qualquer apoio militar norte-americano a Taiwan, considerando a ilha parte integrante do território chinês.

As conversações abordaram igualmente o programa nuclear iraniano e a segurança marítima no Médio Oriente.

Trump afirmou que Xi está "firmemente convencido" de que o Irão não deve possuir armas nucleares.

"Ele acredita firmemente que os iranianos não devem ter armas nucleares e quer que reabram o estreito", disse Trump, numa referência ao estreito de Ormuz, via marítima estratégica cuja circulação tem sido afetada pelas tensões regionais.

O Presidente norte-americano revelou também ter proposto a Xi um eventual acordo nuclear trilateral entre os Estados Unidos, a China e a Rússia para limitar o número de ogivas nucleares.

Segundo Trump, sobre este tema recebeu de Xi "uma resposta muito positiva" à ideia.

A proposta surge após a expiração, em fevereiro, do tratado Novo START entre Washington e Moscovo, o último grande acordo de controlo de armas nucleares entre as duas potências.

O tratado limitava os arsenais estratégicos dos dois países, que possuem mais de cinco mil ogivas nucleares cada um.

Segundo estimativas do Pentágono, a China dispõe atualmente de mais de 600 ogivas nucleares operacionais e poderá ultrapassar as mil até 2030.

O último encontro da cimeira decorreu hoje na residência oficial de Xi, em Zhongnanhai, onde os dois líderes caminharam pelos jardins do complexo antes de uma reunião de quase três horas acompanhada por conselheiros e intérpretes.