ICNF assegura estar garantida continuidade e sustentabilidade do trabalho do lince-ibérico
O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) assegurou ontem estar garantida a "continuidade e sustentabilidade" do trabalho desenvolvido no Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico (CNRLI), cuja gestão vai assumir.
O CNRLI tem sido gerido no local desde a sua criação por uma entidade privada mas sob tutela do ICNF, o qual anunciou passar a gerir o centro a partir do próximo mês.
A questão já motivou um pedido de esclarecimentos à ministra do Ambiente por parte do partido Livre e a equipa técnica do CNRLI manifestou-se preocupada sobre a forma e o calendário previstos para a transição, que afeta 14 profissionais altamente especializados.
O coordenador do Programa Ibérico de Conservação Ex Situ para o lince-ibérico e responsável técnico pela operação do CNLRI nos últimos 17 anos, Rodrigo Serra, disse à Lusa que o grande problema é a falta de um processo de transição e que é essencial a transmissão de conhecimento.
Numa resposta a perguntas da Lusa o ICNF explicou que nos últimos 17 anos lançou concursos para assegurar a gestão do centro, tendo Rodrigo Serra apresentado sempre equipas que cumpriram os requisitos pedidos, "tendo-lhe sido feitas toda as adjudicações".
Com a decisão de internalizar a gestão do centro os elementos agora selecionados para assegurar a continuidade da gestão do CNRLI "cumprem os mesmos requisitos pedidos nos concursos públicos ao longo dos anos".
Por isso, disse o ICNF, "está garantida" a "continuidade e sustentabilidade do trabalho desenvolvido".
No esclarecimento o ICNF disse manter o empenho e compromisso na recuperação da população de lince-ibérico, em conjunto com as autoridades espanholas e demais entidades parceiras, e recorda que gere o CNRLI desde o início, mas que optou até agora pela contratação externa de técnicos especializados.
Esclareceu ainda que, face à informação que tem sido divulgada, que a equipa atual não tem 17 anos de experiência porque houve neste período várias entradas e saídas.
No dia 23 de fevereiro o ICNF, disse nas respostas à Lusa, reuniu-se com Rodrigo Serra para o informar de que havia intenção de internalizar a gestão do centro, "mantendo-o associado ao projeto como consultor, o que ele recusou".
Ouvido pela Lusa na terça-feira Rodrigo Serra apontou as especificidades do trabalho da equipa de conservação do lince e lamentou a ausência de uma transição.
Nas palavras de Rodrigo Serra uma transição deveria demorar pelo menos um ano, porque o calendário de trabalho com o lince ibérico é de 12 meses, pelo que "o treino de uma equipa não se faz em três semanas".
Rodrigo Serra concluiu que com este processo os linces podem correr graves riscos e os profissionais que vieram também podem correr riscos. "Há informação que se vai perder", lamentou, afirmando que do lado de Espanha também "estão preocupados" com o que vai acontecer.