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Venezuela anuncia reestruturação da sua dívida externa

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Foto Shutterstock

O Governo da Venezuela anunciou hoje o lançamento de um processo "formal, integral e ordenado" para a reestruturação da sua dívida pública externa e da sua empresa estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), sem especificar o montante envolvido.

"Esta é uma decisão responsável, nacionalista e social. O seu objetivo é reconstruir a capacidade do país para mobilizar financiamento, atrair investimentos, estabilizar a economia e melhorar materialmente a qualidade de vida de cada venezuelano", disse o Ministério da Economia num comunicado publicado no Instagram.

Segundo informou em março passado a organização Transparência Venezuela, a dívida externa deste país estima-se em mais de 170.000 milhões de dólares (145,1 mil milhões de euros). A organização fez um cálculo numa tentativa de lançar luz sobre a falta de informação oficial.

O Governo venezuelano também disse no texto que "o processo de reestruturação visa garantir um alívio substancial da dívida, o qual será atribuído em benefícios para o país e para a sua população, permitindo o crescimento inclusivo e a criação de empregos, vislumbrando um renascimento do desenvolvimento e da prosperidade".

"Os recursos da nação devem ser destinados, antes de tudo, ao bem-estar do povo da Venezuela e não serem consumidos por obrigações financeiras insustentáveis", acrescentou.

O anúncio surge exatamente quando os Estados Unidos flexibilizaram as suas sanções à Venezuela, depois de capturarem o ex-presidente Nicolás Maduro em janeiro passado e abrirem uma nova etapa nas suas relações com aquele país da América Latina, que recentemente também reingressou no Banco Mundial (BM) e no Fundo Monetário Internacional (FMI).

De facto, no comunicado, a Venezuela indicou que as sanções financeiras, que lhe foram impostas desde 2017, foram responsáveis por não cumprir os seus compromissos financeiros nos últimos anos, depois de ter sido um país que demonstrava "solvência" e que cumpria "plenamente todas as suas obrigações internacionais".

"Durante demasiado tempo, o país tem sido privado do acesso normal a financiamento e a sua economia perdeu capacidade para investir em saúde, eletricidade, água, educação, infraestruturas, recuperação produtiva e no bem-estar da sua população. O povo venezuelano demonstrou grande resiliência para enfrentar esta situação", realçou.

A Administração do país das Caraíbas disse que a partir de hoje este inicia uma nova fase e que "cumprirá os seus compromissos de forma sustentável e o fará nas condições que o povo venezuelano merece, construindo um caminho sólido para recuperar o bem-estar, a justiça e a igualdade social".