Quinze presos morreram por falta de atenção médica na Venezuela
O Observatório Venezuelano de Prisões (OVP) denunciou hoje a morte de mais um preso na Venezuela, Wilian Jonás Colina Delgado, 59 anos, elevando para 15 os presos falecidos desde abril por falta de atenção médica atempada.
"Willian Jonás Colina Delgado, de 59 anos, é o terceiro recluso a falecer neste mês de maio na Comunidade Penitenciária Fénix Lara (...) sofria de tuberculose, uma doença tratável e curável que, atualmente, não deveria causar a morte de ninguém, mas que, nas prisões venezuelanas, o faz", explica o OVP num comunicado.
No documento, o Observatório denuncia ainda que "o Estado venezuelano não presta a devida assistência aos seus presos, tendo falhado sistematicamente no cumprimento da sua obrigação de fornecer tratamentos médicos adequados e oportunos".
"Na prática, a responsabilidade pela assistência foi transferida de forma irregular para os familiares, que têm de arcar com os custos e providenciar os medicamentos para os seus entes queridos, embora estes devessem ser garantidos pelo Ministério do Serviço Penitenciário", sublinha.
Além disso, segundo o OVP, "na Venezuela, existe uma superlotação crítica em todos os centros prisionais do país, situação que se torna um terreno fértil para a propagação de doenças infeciosas".
"O Ministério do Serviço Penitenciário não adota as medidas necessárias, uma vez que não existem protocolos de isolamento nem ações de higienização eficazes. As instalações carecem das condições mínimas de higiene, tornando-se espaços que violam a dignidade humana", explica.
No comunicado o OVP publicada uma listagem com os dados das vítimas e sítios de detenção, pedindo uma investigação exaustiva e imparcial a cada uma das mortes e advertindo que a crise penitenciária na Venezuela se agrava a cada dia.
"No OVP documentámos cada uma destas mortes sob custódia do Estado, e com o falecimento de Willian o número de mortos registados entre o mês de abril e os primeiros dias de maio ascende a 15. Da mesma forma, iremos comunicar estes factos às instâncias internacionais de proteção dos direitos humanos", conclui.
Entretanto, a imprensa local dá conta, hoje, que a autópsia realizada ao ex-vereador e preso político venezuelano José Manuel García Sabino (31 anos) determinou que a sua morte foi causada por asfixia mecânica por estrangulamento, apresentando lesões incompatíveis com a versão oficial de um suicídio por enforcamento.
Segundo a Antorcha TV o corpo do militante do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, o partido do Governo) foi encontrado na noite de sábado, 9 de maio de 2026, nas celas da Polícia Municipal de Anaco.
García Sabino foi detido em fevereiro de 2026, após denunciar atos de corrupção na Câmara Municipal de Anaco.
No domingo, a Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) exigiu que sejam apuradas as responsabilidades criminais pela morte de outro preso político, o opositor Víctor Hugo Quero Navas em 2025, reconhecida na semana pelo Governo de Caracas.
"É fundamental apurar as responsabilidades criminais e administrativas dos funcionários que, por ação ou omissão, permitiram que um jovem venezuelano morresse esquecido, sem acesso à sua família e privado do devido processo legal", refere o comunicado.
O corpo de Quero Navas foi exumado na sexta-feira pelas autoridades venezuelanas, após o Governo ter reconhecido na quinta-feira a sua morte, ocorrida há dez meses.
O Ministério do Serviço Penitenciário venezuelano indicou que Quero Navas se encontrava detido na prisão El Rodeo I, desde 03 de janeiro de 2025, tendo sido transferido para um hospital a 15 de julho, após apresentar "hemorragia digestiva superior e síndrome febril aguda".
Segundo o texto oficial, faleceu quase dez dias depois devido a "insuficiência respiratória aguda secundária a trombo embolismo pulmonar".
Segundo a imprensa local, o Ministério Público e a Provedoria de Justiça teriam confirmado, há meses, que Quero Navas estava detido no cárcere de Rodeo I.
Dados atualizados da organização Justiça, Encontro e Perdão dão conta de que na Venezuela há 667 presos políticos, entre os quais cinco portugueses.