Vereadora do Chega renuncia ao mandato na Câmara de São Vicente
Helena Freitas anunciou esta quarta-feira a renúncia ao mandato de vereadora da Câmara Municipal de São Vicente, recorrendo à sua página pessoal no Facebook para divulgar a decisão, que classifica como “irrevogável” e com efeitos imediatos.
Na carta dirigida ao presidente da Assembleia Municipal, Rui Silva, a eleita pelo CHEGA Madeira formaliza igualmente a saída definitiva de um ciclo político marcado por fortes divergências internas no executivo liderado por José Carlos Gonçalves, a quem acusa de falta de “transparência, verdade e legalidade” na actual gestão autárquica. Diz ainda que como o município está a ser administrado “vai contra os princípios” pelos quais se rege, sublinhando que o partido pelo qual foi eleita tem como base “o combate à corrupção, ao compadrio, à ilegalidade” e a defesa da transparência.
Helena Freitas chegou a exercer funções de vice-presidente da autarquia no início do mandato, mas acabou por perder os pelouros atribuídos pelo presidente da Câmara após desentendimentos políticos dentro da maioria do CHEGA.
A saída surge num contexto de crescente tensão política no município, agravada após a polémica votação relacionada com a reabertura das grutas de São Vicente, uma das principais promessas eleitorais assumidas junto da população nas últimas autárquicas.
Na altura, José Carlos Gonçalves acusou os vereadores Fábio Costa e Helena Freitas de terem “tirado o tapete” ao executivo ao votarem contra o desencadeamento do processo destinado à reabertura das grutas, inviabilizando uma proposta que o presidente considerava central para cumprir um compromisso eleitoral.
“Foi uma traição que fizeram, não a mim, José Carlos Gonçalves, mas à população de São Vicente, aos vicentinos”, afirmou então o autarca, defendendo que a reabertura das grutas não era apenas uma promessa do CHEGA, mas também do PSD.
Face à ruptura interna, José Carlos Gonçalves chegou mesmo a defender publicamente que os vereadores do CHEGA que votaram contra a proposta deveriam renunciar aos respectivos mandatos e permitir a substituição pelos elementos seguintes da lista.
A vereação de São Vicente é composta por três eleitos do CHEGA, incluindo o presidente da Câmara, e dois vereadores do PSD. Já a Assembleia Municipal integra oito deputados do CHEGA, seis da coligação PSD/CDS-PP e um do PS.
No texto agora publicado, Helena Freitas deixa duras críticas ao ambiente político vivido dentro da autarquia, falando em falta de “transparência”, “verdade” e “legalidade”, além de denunciar alegadas práticas de “medo e chantagem”.
“Foram tempos árduos e difíceis”, escreve, acrescentando ter sido alvo de “exposição pública da forma mais vil e baixa que o ser humano pode chegar”.
A agora ex-vereadora garante, contudo, que nunca deixou de defender “os interesses da população” e os seus princípios políticos.
“Espero que um dia tudo seja diferente, e que São Vicente venha a ter a verdadeira mudança, e que possa respirar de alívio de todo o sufoco em que está mergulhado”, refere ainda, assegurando que continuará a pugnar “pela transparência e pela verdade”.
Com a renúncia de Helena Freitas, deverá agora entrar para a vereação Cátia Capontes, elemento seguinte na lista do CHEGA às eleições autárquicas de 2025.