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Patriarca de Lisboa fala em mundo ferido pela guerra e pede paz no coração

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Foto EPA/PAULO CUNHA

O patriarca de Lisboa, Rui Valério, afirmou hoje, no Santuário de Fátima, que não se pode ignorar a realidade do mundo ferido pela guerra e considerou que "não haverá paz na terra sem paz no coração".

"Não podemos ignorar a realidade. O nosso mundo está ferido, ferido pela guerra, onde irmãos se enfrentam e a vida humana é esmagada, ferido pela violência, que tantas vezes se infiltra nas relações e nas palavras, ferido pela divisão, que fragmenta povos, famílias e comunidades, ferido pela solidão, que atinge tantos, mesmo no meio das multidões, ferido pelo egoísmo, que fecha o homem sobre si mesmo", disse Rui Valério.

Na homilia, depois da procissão das velas na peregrinação de 12 e 13 de maio, Rui Valério considerou que "é o coração humano que precisa de ser curado, iluminado, renovado", destacando que "é no coração de cada homem e de cada mulher que começa a verdadeira mudança do mundo".

Segundo o patriarca, "não haverá paz na terra sem paz no coração, não haverá luz na história sem luz na alma".

Ao presidir, pela primeira vez, a uma peregrinação internacional ao maior santuário mariano do país, Rui Valério dirigiu-se aos milhares de fiéis presentes - 250 mil de acordo com o santuário -, lembrando que carregam "o peso dos dias e a esperança do coração".

"Olhamos para esta multidão de velas acesas neste santuário, cada chama é uma história, cada luz é uma alma que decidiu não permanecer nas trevas. Cada vela é um sinal de resistência interior: não queremos viver na escuridão, não aceitamos que o mal tenha a última palavra", continuou.

Ao referir-se à Virgem de Fátima "como sinal de esperança" que "vem ao encontro de um mundo ferido" e traz uma mensagem de "oração, penitência, conversão, confiança em Deus", o patriarca de Lisboa adiantou que "não basta acender uma vela, não basta receber luz", mas é "preciso tornar-se luz".

"E isto começa nos gestos simples do quotidiano: no perdão oferecido quando seria mais fácil guardar rancor, na reconciliação procurada quando a divisão parece definitiva, na proximidade a quem está só, a escuta paciente de quem sofre, na caridade concreta que toca a vida do outro", preconizou.

Rui Valério disse ainda que a peregrinação a Fátima "não é apenas uma tradição", antes "uma imagem viva da Igreja".

"Somos muitos, caminhamos juntos, mas cada um leva a sua vela", afirmou, sublinhando que se trata de "unidade na diversidade, um só povo, muitas histórias, uma só fé, muitas vidas".

Para Rui Valério, "esta procissão é um testemunho para o mundo, a Igreja é um povo em caminho, que não desiste, que não se resigna, que continua a acreditar que a luz vence as trevas", desafiando os peregrinos a entregarem à Virgem de Fátima "os medos, as dúvidas, os pecados, as feridas escondidas", e a pedir que faça deles "luz no meio do mundo".

O patriarca de Lisboa, de 61 anos, é natural de Urqueira, no concelho de Ourém.

Hoje, na conferência de imprensa que antecedeu a peregrinação, declarou que Fátima, a "poucos quilómetros" da sua terra natal, é uma "realidade que está intrinsecamente associada e presente" na sua biografia.

"A minha primeira catequese foi Fátima, foi Nossa Senhora, mercê da dádiva de uma avó que foi testemunha do 13 de outubro de 1917 e que, enfaticamente, partilhava a experiência que aqui viveu, ainda jovem, em 1917, quando, como ela dizia, viu bailar o sol", recordou.

Para Rui Valério, estar em Fátima e, sobretudo, presidir às celebrações, "mais do que um ato de memória, é um reencontro" com as suas fontes.

A peregrinação internacional de 12 e 13 de maio termina na quarta-feira.

Após a recitação do terço, às 09:00, na Capelinha das Aparições, começa, uma hora depois, a missa, com a bênção dos doentes e a procissão do adeus, no recinto.