Só vai haver paz na Europa quando Rússia estiver nas negociações
O líder do PSD, Luís Montenegro, defendeu hoje que só vai haver paz na Europa quando a Rússia estiver nas negociações considerou que o continente europeu não pode delegar a países terceiros a sua missão neste processo.
"Só pode e só vai haver paz na Europa e na Ucrânia quando nós sentarmos a Rússia na mesa das negociações de paz", disse o também primeiro-ministro, no discurso de encerramento da 15.ª Universidade Europa, em Porto de Mós (Leiria), sustentando que "a Europa não pode estar longe disto, nem pode delegar a sua intervenção e missão neste processo a países terceiros, para depois serem eles a proteger e a salvaguardar o seu interesse".
Em 24 de abril, primeiro-ministro português considerou, em Nicósia, ser "preciso estabelecer diálogo com a Rússia para resolver os conflitos" em que está envolvida, afirmando concordar com a sugestão do presidente norte-americano, Donald Trump, para que o presidente russo, Vladimir Putin, participe na próxima cimeira do G20.
Hoje, Montenegro afirmou que, "depois de uma estranheza inicial, agora já vários intervenientes à escala europeia assumem que a própria Europa deve, e bem, criar esse canal", para "poder salvaguardar o interesse da Europa e da própria Ucrânia".
"Aliás, não tenho dúvidas de que é esse também o interesse da Ucrânia e dos seus responsáveis", acrescentou.
Antes, e dirigindo-se a uma plateia de jovens, o presidente do PSD reconheceu que a Europa "atravessa uma encruzilhada política e institucional" e a União Europeia, com 27 Estados-membros, tem "uma dificuldade grande em decidir e implementar as suas políticas" face "a outros blocos políticos e comerciais com os quais compete na esfera internacional, onde a decisão é muito mais fácil", pois depende, normalmente, de uma pessoa.
O líder do executivo adiantou, por outro lado, que "este Governo tem um objetivo que é que Portugal seja contribuinte líquido da União Europeia".
"É esse o nosso objetivo, que um dia nós possamos dar mais do que recebemos, no sentido em que somos mais desenvolvidos num conjunto uniforme de países, para todos caminharem em conjunto, caminharem de forma harmoniosa, e, portanto, nós estamos disponíveis a dar aos outros para também receber em troca o fruto de um desenvolvimento conjunto, de um bloco consistente e de um bloco desenvolvido", continuou.
Contudo, ressalvou que Portugal, "mesmo ainda não estando nesse patamar", tem "uma contribuição anual de cerca de 2.500 milhões de euros para a União Europeia", antecipando um crescimento da comparticipação no próximo quadro financeiro plurianual "para um valor muito superior", sem precisar.
E, quando forem feitas as contas entre aquilo que o país dá e aquilo que recebe, Luís Montenegro assegurou que se vai chegar à conclusão de que já se está "quase lá", explicando ser essa "uma das razões pelas quais" tem defendido na União Europeia que "é preciso manter o respeito por aquilo que está nos tratados sobre a política de coesão, sobre a política que garante que todos estão no mesmo barco".
"Que é para nós não sermos agora prejudicados, nisto que é uma espécie de 'last mile' [última milha], em que estamos quase a chegar à convergência e agora iam-nos cortar as pernas, para nós fazermos aquilo que é o último, o último quilómetro para atingirmos, como queremos, esse estatuto", acrescentou.
A Universidade Europa, promovida pela JSD, pelo PSD, pela Delegação do PSD no Parlamento Europeu, pelo Instituto Francisco Sá Carneiro e pelo Grupo do PPE, visa aprofundar o estudo das questões europeias.