Comissário europeu do Clima alerta para "tempos muito difíceis"
O comissário europeu do Clima, Neutralidade Carbónica e Crescimento Limpo, Wopke Hoekstra, alertou hoje para os "tempos muito difíceis" que o mundo vive e avisou que a União Europeia (UE) tem de avançar para a produção energética própria.
O comissário falava numa audição parlamentar conjunta com as comissões de Assuntos Europeus e de Ambiente e Energia, na qual começou por dizer que o mundo está cada vez mais complicado e sem perspetivas de melhoria, apontando a situação geopolítica e guerras como a da Ucrânia ou do Irão.
A tudo isso juntam-se as alterações climáticas, lembrou.
"Não podemos ter ilusões quanto ao clima. Vai piorar antes de eventualmente melhorar", referiu, apontando os impactos das alterações climáticas recentes em Portugal e afiançando que os eventos extremos se vão repetir e com mais intensidade.
Um aumento de 1,5ºC em relação à época pré-industrial "vai ter custos muito grandes", pelo que é preciso garantir medidas para minimizar os problemas e para a adaptação, disse.
Wopke Hoekstra disse que é preciso avançar cada vez mais na produção de energia na UE, através de recursos naturais (eólica, solar e "eventualmente mais energia nuclear para os países que a têm") acabando com a dependência de recursos fósseis.
Respondendo a perguntas dos deputados, o comissário enfatizou depois a necessidade de a UE ser menos dependente da China, na produção de baterias, mas também noutros domínios, e referiu-se a subsídios estatais (dados pela China por exemplo) para dizer que a competitividade é importante "desde que as condições sejam as mesmas".
Sobre a produção de energias verdes, Wopke Hoekstra referiu a liderança da Península Ibérica e dos países escandinavos e apontou a necessidade de se imprimir na produção de baterias a mesma velocidade que aconteceu na produção de energia solar.
E sobre as interdependências energéticas, defendeu também mais colaboração, recordando que a UE nasceu exatamente da colaboração na área do carvão e do aço.
O comissário europeu termina hoje dois dias de visita a Portugal.