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A Guerra Mundo

Putin "nunca esteve tão fraco", mas é cedo para falar em negociações

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A chefe da diplomacia da União Europeia (UE) afirmou hoje que o Presidente russo, Vladimir Putin, "nunca esteve tão fraco", mas considerou que ainda é cedo para se falar em negociações entre o bloco dos 27 e a Rússia.

Em conferência de imprensa no final de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, em Bruxelas, Kaja Kallas foi questionada sobre como é que viu as declarações de Vladimir Putin que, no sábado passado, afirmou que a guerra na Ucrânia "está a chegar ao fim".

"Acho que a leitura geral é que o Putin nunca esteve numa posição tão fraca. [As forças russas] estão a perder muitas vidas no terreno, há um descontentamento crescente na sociedade russa, é por isso que estão a desligar a Internet, para que as pessoas não consigam ver as notícias reais", respondeu a Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança.

Kaja Kallas defendeu que "os ataques de longo alcance realizados pela Ucrânia estão a ter um impacto real" e o "apoio à guerra de Putin está a diminuir".

"Tudo isso mostra que o Putin não está assim tão forte, mas isso não quer dizer que estejamos num ponto em que eles queiram genuinamente negociar, porque ainda continuam a apresentar propostas maximalistas", referiu.

A chefe da diplomacia da UE defendeu que a parada militar de 09 de maio em Moscovo por ocasião do 81.º aniversário da vitória soviética na Segunda Guerra Mundial sobre a Alemanha nazi, que foi mais curta do habitual e na qual não foi exibido equipamento militar, e "perdas recorde russas no campo de batalha", mostram que a "dinâmica da guerra está a mudar".

"A Ucrânia está muito melhor do que há um ano. Mas, claro, não há tempo para complacência", referiu, salientando que os ministros concordaram em "desenhar novas sanções para cortar os rendimentos do Kremlin".

Kallas frisou que os ministros discutiram também a adesão da Ucrânia à UE, afirmando que Kiev fez "progressos assinaláveis, em circunstâncias muito difíceis".

"Há agora um novo ímpeto e devemos utilizá-lo para avançar no caminho da Ucrânia rumo à UE. Isto significa abrirmos todos os capítulos [das negociações de adesão] antes do verão", vincou.

Para a chefe da diplomacia da UE, "garantir que a Ucrânia entra na UE não é caridade, é um investimento na segurança" europeia.

"E a nossa mensagem para o Putin é clara: o futuro europeu da Ucrânia é mais importante para nós do que a destruição da Ucrânia é para a Rússia", afirmou.

Questionada se admite vir a representar a UE em possíveis negociações de paz com a Rússia, Kaja Kallas recordou que, antes de entrar na política, foi advogada, apontando uma diferença entre os dois setores.

"No setor privado, se fores uma boa advogada ou negociadora, não precisas de te gabar, porque outros reconhecem-no. Mas, na política, é preciso fazê-lo. Como dizia [o ex-presidente dos Estados Unidos] George W. Bush: 'às vezes é preciso fazer a sua própria autopromoção, senão ninguém a faz", disse, acrescentando que acha que tem a capacidade para ver "através das armadilhas que a Rússia está a tentar apresentar".

"Mas não estamos a entrar em qualquer tipo de negociação, não vemos a Rússia a negociar de boa-fé e, primeiro, temos de discutir entre os Estados-membros quais são as concessões que queremos que a Rússia faça", referiu, reiterando que essa discussão vai ser feita na reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros entre 27 e 28 de maio em Chipre.