Montenegro diz que Governo não abandona convicções sobre pacote laboral
O primeiro-ministro alertou hoje que o Governo "não abandona as suas convicções" em matéria laboral e garantiu que "já cedeu em todas as traves mestras" desta reforma, acusando a UGT de ser o parceiro "com menos cedências".
Sobre a possibilidade de deixar cair o pacote laboral, como sugeriu hoje o líder do PS, José Luís Carneiro, Luís Montenegro disse que, sem entendimento na concertação social, a última palavra sobre o pacote laboral "será sempre do parlamento", vincando que "se há uma coisa que o Governo não faz é abandonar as suas convicções".
"As traves mestras a que a UGT se refere [para aprovar o pacote laboral] têm a ver com os contratos a termo, o regime de reintegração em caso de despedimento, o banco de horas por acordo e o chamado 'outsourcing'. Em todas estas matérias o Governo já cedeu. Há propostas em que cedeu integralmente e outras em que cedeu parcialmente", vincou o governante, em declarações aos jornalistas na inauguração da Festa do Alvarinho e do Fumeiro de Melgaço, no distrito de Viana do Castelo.
Montenegro vincou que "o parceiro social que tem menos cedência neste momento é, claramente, a UGT", recusando ser entendido "como estando a pressionar mais ou menos".
"A UGT tem toda a legitimidade e liberdade de dizer "não queremos ceder". Não pode é dizer que a teimosia é nossa", sublinhou.
Montenegro observou que "o povo que sai à rua sai com toda a legitimidade, mas é uma pequena parte", porque "a grande maioria do povo acreditou neste projeto" e tem "a expectativa que o compreende".
"Tenho a obrigação, não é apenas uma convicção, de ser consequente com aquilo que foram as ideias que apresentei ao país", defendeu.
O primeiro-ministro considera que "há condições" para haver um acordo, assim haja cedências da central sindical.
"É um governo que está aqui para construir futuro e é com esse espírito que queremos dar aos parceiros sociais sindicais uma última oportunidade para poder também manifestar cedência. E, sinceramente, há condições para isso", notou.
Se não houver, "a última palavra será sempre do parlamento".
Montenegro disse desconhecer quais os partidos políticos disponíveis para um entendimento com a AD sobre a reforma laboral, mas acusou alguns de teimosia.
"Vejo partidos políticos que, antes mesmo de o debate parlamentar se iniciar, fecham a porta. Os partidos que fecham a porta antes desse momento são os flexíveis, são os disponíveis para o diálogo? E aqueles que verdadeiramente querem negociar é que são os teimosos?", perguntou.
O primeiro-ministro questionou ainda se não "será ao contrário".
"Teimoso não é o Partido Socialista? Teimoso não é o Partido Comunista? Teimoso não é o Bloco de Esquerda? Teimoso não é o Livre? Sobre quem estará disponível, eu diria que talvez a melhor resposta fosse revisitar o conceito de teimosia", sugeriu.
O secretário-geral do PS desafiou hoje o primeiro-ministro a deixar cair a reforma laboral, que diz ser ofensiva para os trabalhadores, ao prejudicar jovens e mulheres.
O secretário-geral da UGT garantiu hoje que não vai ceder perante as "traves mestras" do Governo na reforma laboral, afirmou que as tentativas de dividir a UGT falharam e colocou a responsabilidade pelo resultado das negociações no executivo.
A CGTP, através do seu secretário-geral, Tiago Oliveira, convocou hoje, quando se assinala o Dia do Trabalhador, uma greve geral para 03 de junho.