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Guerra no Irão Mundo

Casa Branca confirma delegação negocial liderada por JD Vance

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O vice-presidente norte-americano, JD Vance, vai liderar a delegação de Washington nas negociações programadas para sexta-feira com o Irão, confirmou hoje a porta-voz da Casa Branca, no primeiro dia de um cessar-fogo já ameaçado por denúncias de violações.

Karoline Leavitt indicou que, além de JD Vance, a equipa negocial inclui os enviados da Casa Branca Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do Presidente norte-americano, Donald Trump, que horas antes tinha colocado em dúvida a participação do seu vice-presidente nas conversações previstas para a capital do Paquistão.

"Vance desempenhou um papel muito importante e fundamental em tudo isto desde o início. É claro que é o braço direito do Presidente Trump. Participou em todas estas negociações e vai liderar esta nova fase de negociações em Islamabad", justificou a porta-voz.

A confirmação da equipa negocial dos Estados Unidos ocorre no primeiro dia de um cessar-fogo de duas semanas no conflito desencadeado em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel contra a República Islâmica, já manchado por bombardeamentos israelitas em grande escala no Líbano, que provocaram pelo menos 254 mortos e 1.165 feridos, segundo o último balanço das autoridades de Beirute.

Os ataques intensivos na capital do Líbano e no sul e leste do país, justificados por Israel com as suas ações militares contra o grupo xiita Hezbollah, aliado de Teerão, levaram as autoridades iranianas a restabelecer o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, que tinha sido levantado no âmbito da trégua.

Segundo a agência Fars, o Irão permitiu a passagem de dois petroleiros "sem incidentes" pelo estreito na manhã de hoje, antes dos bombardeamentos em grande escala no Líbano, que Israel e Trump dizem ter ficado excluído do acordo, embora o Paquistão, país mediador, tenha afirmado inicialmente o contrário.

A porta-voz da Casa Branca referiu-se a um aumento do tráfego marítimo nesta passagem vital para o comércio de hidrocarbonetos, observando que é monitorizado "minuto a minuto, hora a hora", pouco depois do anúncio do regresso do bloqueio que diz ser inaceitável.

"Mais uma vez, este é um caso em que o que [os iranianos] dizem publicamente é diferente do que dizem em privado", lamentou Karoline Leavitt.

A interrupção das hostilidades pretende igualmente abrir espaço para negociações entre as partes, que deverão ser lideradas do lado de Teerão pelo Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, mas, de acordo com o The Wall Street Journal, a República Islâmica está a condicionar a sua participação à aplicação da trégua no Líbano.

Karoline Leavitt disse que Donald Trump vai continuar as discussões com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, sobre o Líbano, bem como "todas as partes envolvidas" sobre o reatamento do conflito entre Israel e o Hezbollah, em paralelo com a guerra no Irão.

"Mas, neste momento, o país não está incluído no acordo de cessar-fogo", reforçou.

Segundo a porta-voz da Casa Branca, o Irão apresentou aos Estados Unidos um novo plano de paz, diferente da proposta de 10 pontos que tinha enviado no início desta semana.

"Inicialmente, os iranianos apresentaram um plano de 10 pontos que era fundamentalmente leviano, inaceitável e foi completamente rejeitado. Foi, literalmente, deitado para o lixo pelo Presidente Trump e pela sua equipa de negociação", relatou.

Posteriormente, Teerão enviou "um plano mais razoável, totalmente diferente e condensado", que Washington recebeu como "um base viável para negociações" e conciliável com a sua própria proposta de 15 pontos, de acordo com a porta-voz da presidência, sem fornecer detalhes.

Desde que Washington e Teerão confirmaram o cessar-fogo de duas semanas, tem havido confusão sobre os parâmetros que servirão de base às negociações.

"As linhas vermelhas do Presidente, ou seja, o fim do enriquecimento de urânio pelo Irão no seu próprio território, não mudaram, e a ideia de que o Presidente Trump possa aceitar uma 'lista de desejos' iraniana como base para um acordo é completamente ridícula", comentou Karoline Leavitt.

A contraproposta apresentada por Teerão na segunda-feira consistia em 10 pontos, previa o fim das hostilidades contra a República Islâmica e os seus aliados na região, como o Hezbollah, um protocolo para a passagem segura pelo Estreito de Ormuz e a suspensão de todas as sanções internacionais.

Incluía também a retirada da presença militar dos Estados Unidos no Médio Oriente.

Na conferência de imprensa, a secretária norte-americana considerou que o acordo "é uma vitória para os Estados Unidos", obtida por Trump e pelas forças armadas.

"Desde o início da Operação Fúria Épica, o Presidente Trump declarou que seria uma operação militar de quatro a seis semanas com o objetivo de desmantelar a ameaça militar representada pelo regime islâmico radical no Irão. Graças às incríveis capacidades da Força Aérea dos Estados Unidos, alcançámos e superámos estes objetivos militares cruciais em apenas 38 dias", sustentou.

Quando questionada sobre as ameaças de Trump de destruir a civilização iraniana se não aceitasse até à última madrugada reabrir o Estreito de Ormuz, Leavitt comentou que foi "a sua retórica agressiva e o seu estilo de negociação implacável" que levaram ao cessar-fogo e abertura de negociações.

"O mundo deve levar as suas palavras muito a sério... Foram os iranianos que recuaram, não o Presidente Trump", argumentou a propósito de uma pergunta sobre os quatro adiamentos dos ultimatos dados ao Irão pelo líder norte-americano.