Trégua proposta por Putin para 9 Maio aplicada com ou sem Kiev
A proposta do Presidente russo, Vladimir Putin, de declarar um cessar-fogo na Ucrânia a 09 de maio será implementada independentemente da reação de Kiev, anunciou hoje o Kremlin.
"É uma decisão do chefe de Estado russo e será implementada", disse o porta-voz presidencial, Dmitry Peskov, citado pelos meios de comunicação locais.
Peskov sublinhou que Moscovo ainda não tem conhecimento da reação de Kiev à proposta de Putin, discutida quarta-feira numa conversa telefónica entre os líderes da Rússia e dos Estados Unidos.
A 09 de maio, a Rússia celebra a vitória soviética sobre a Alemanha nazi em 1945, habitualmente com um grande desfile militar em Moscovo.
Desde 2023, a Ucrânia celebra a 08 de maio a vitória na Segunda Guerra Mundial, como os países ocidentais.
Putin e o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já acordaram duas tréguas breves semelhantes em 2025.
Zelensky insiste num cessar-fogo de pelo menos 30 dias, o que Moscovo rejeita.
Também hoje, o Presidente ucraniano instruiu o seu gabinete a contactar a Casa Branca para "esclarecer os detalhes" de uma possível trégua.
"Vamos esclarecer exatamente o que isso implica, [se são] algumas horas [de trégua] para um desfile em Moscovo ou algo mais", disse Zelensky, que deixou claro que não foi informado pelo lado norte-americano sobre a proposta.
A presidência russa indicou que o Presidente norte-americano, com quem Vladimir Putin discutiu a trégua na quarta-feira, apoiou a iniciativa.
Na conversa com Trump, Putin afirmou estar pronto "para decretar um cessar-fogo durante o período das celebrações do Dia da Vitória", declarou à comunicação social o conselheiro diplomático, Iuri Ushakov.
"Trump apoiou ativamente esta iniciativa, referindo que esse feriado assinala a nossa vitória partilhada", acrescentou Ushakov.
O presidente dos Estados Unidos disse ter tido uma conversa "muito boa" com o homólogo russo, indicando que nela defendeu um cessar-fogo na Ucrânia.
De acordo com o chefe de Estado norte-americano, a conversa centrou-se sobretudo na guerra entre a Rússia e a Ucrânia, ao passo que o Kremlin declarou que os dois líderes "deram especial atenção à situação no Irão e no Golfo Pérsico".
A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após a desagregação da antiga União Soviética - e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.
No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda pelo menos quatro regiões - Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia - além da península da Crimeia, anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).