Alojamento turístico da Madeira teve mais de um milhão de dormidas em Março
Cresceram 3,8% em termos homólogos, ultrapassando a fasquia pela primeira vez
O alojamento turístico na Região Autónoma da Madeira (RAM) registou "a entrada de 218,5 mil hóspedes, os quais geraram 1.019,3 mil dormidas, traduzindo-se em variações homólogas de +14,6% nos hóspedes entrados e +3,8% nas dormidas em Março de 2026, facto esse que ocorre pela primeira vez neste mês. "O segmento da hotelaria concentrou 65,4% das dormidas (667,1 mil), decrescendo 1,9% em termos homólogos. Já o alojamento local (32,3% do total) subiu 18,0%, enquanto o turismo no espaço rural (2,3% do total) desceu 1,9%", destacando-se pois os principais contribuintes para este recorde os 'famigerados' AL.
Segundo a Direção Regional de Estatística, "para efeitos de comparabilidade com os dados divulgados pelo INE, é necessário excluir o alojamento local com menos de 10 camas, sendo que, segundo esta lógica de apuramento de resultados, as dormidas do alojamento turístico registaram uma variação homóloga de -1,1%, variação contrária à observada a nível nacional (+1,4%)". Ou seja, sem a maioria do AL (que são as unidades de pequena dimensão, moradias e apartamentos), teríamos tido uma quebra nas dormidas e não um novo recorde.
Em Março de 2026, "os maiores aumentos no número de dormidas registaram-se no Norte (+8,5%) e no Alentejo (+7,2%). Em sentido contrário, o Oeste e Vale do Tejo e o Centro apresentaram os decréscimos mais acentuados (-15,7% e -8,1%, respetivamente)", sendo de referir também que o INE não faz a contagem dos milhares de AL existentes por todo o país.
"Importa assinalar que os resultados de Março poderão ter sido influenciados pela estrutura móvel do calendário, ou seja, pelos efeitos associados aos períodos de Carnaval e da Páscoa", eclarece a DREM.
Voltando à contagem própria, a DREM salienta que no acumulado dos primeiros três meses de 2026, "os hóspedes entrados no total do alojamento turístico da Região totalizaram 520,7 mil, o que representa um crescimento de 9,3% face ao período homólogo. Também as dormidas registaram um aumento de 2,6% em comparação com o mesmo período de 2025, fixando-se em 2,7 milhões".
No que toca à taxa líquida de ocupação-cama do alojamento turístico na Região, no mês em referência, "foi de 62,8%, -2,9 pontos percentuais (p.p.) face ao observado no mês homólogo (65,8%). Por sua vez, a taxa de ocupação-quarto atingiu os 73,8% (76,9% em Março de 2025)", ou seja -2,5%.
"No mês de Março de 2026, a estada média no conjunto do alojamento turístico fixou-se em 4,23 noites (4,62 em março de 2025)", realça nova quebra. "Os valores mais elevados continuam a ser observados no alojamento local (4,41 noites) e na hotelaria (4,18 noites), seguidos pelo turismo no espaço rural, que apresenta a estada média mais baixa, com 3,59 noites".
Nota ainda para os 10 principais mercados emissores, que "representaram 81,1% do total das dormidas registadas em Março de 2026". E destaca: "Destacaram-se, com um peso superior, a Alemanha (23,0% do total; +6,8% do que em Março de 2025), o Reino Unido (17,0%; -3,4%) e Portugal (16,1%; +6,7%). Na quarta posição, em termos de peso relativo no total de dormidas, encontrava-se o mercado polaco (6,9%; -8,8%), seguido dos mercados francês (5,3%; -0,8%) e neerlandês (3,7%; +17,6%)."
Quanto ao dinheiro a entrar, "em Março de 2026, os proveitos totais e os proveitos de aposento registaram crescimentos homólogos de 11,1% e 11,8%, respetivamente, fixando-se, pela mesma ordem, em 70,5 milhões de euros e 50,7 milhões de euros", denotando não haver muitos sinais de abrandamento. "No conjunto do País, e no mesmo mês, os proveitos totais e os proveitos de aposento registaram igualmente crescimentos homólogos, situando-se em +6,6% e +5,9%, respetivamente".
Já em termos acumulados, na Região, "os proveitos totais e os proveitos de aposento registaram variações de +9,7% e +9,4%, respetivamente, totalizando, de Janeiro a Março de 2026, 178,7 milhões de euros e 125,6 milhões de euros", acrescenta a DREM.
Isto porque nesse mês, "o rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) rondou os 89,92 euros no conjunto do alojamento turístico (excluindo o alojamento local abaixo das 10 camas), +7,7% do que mesmo mês do ano precedente. Por sua vez, o rendimento médio por quarto utilizado (ADR) no alojamento turístico passou de 108,56€, em Março de 2025, para 121,81€, em Março de 2026 (+12,2% de variação homóloga)".
Neste requisito, de Janeiro a Março de 2026, "o RevPAR no conjunto do alojamento turístico (excluindo o alojamento local com menos de 10 camas) situou-se nos 77,44 euros, representando um aumento de 6,2% face ao período homólogo. Na hotelaria, o RevPAR foi de 83,78 euros, correspondendo a uma subida de 6,8%. Quanto ao ADR, os valores foram superiores, fixando-se nos 114,08 euros no conjunto do alojamento turístico (+10,5% em relação ao período homólogo) e nos 118,73 euros na hotelaria (+12,2%)", conclui.