67% dos profissionais de saúde defendem revisão do Programa Nacional Vacinação
Dois em cada três profissionais de saúde que participaram num estudo hoje apresentado sobre o Programa Nacional de Vacinação (PNV) defendem a sua revisão, para acompanhar as necessidades de saúde de uma população cada vez mais envelhecida.
O estudo, apresentado pela Apifarma - Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica, mostra que se mantém um consenso alargado sobre o papel da vacinação na saúde pública, na prevenção ao longo da vida e na proteção individual e coletiva, mas há alguns alertas relativamente aos dados recolhidos há três anos.
Um dos indicadores que desce (- 5,7 pontos percentuais) é a população que afirma que o PNV se destina a todas as crianças e adultos residentes em Portugal, ficando agora nos 51,9%.
Os dados foram recolhidos entre 28 de janeiro e 06 de abril, com questionários feitos a quase 800 profissionais de saúde, entre médicos de várias especialidades e enfermeiros, e mais de 2.000 cidadãos.
Nos profissionais de saúde envolvidos, a percentagem daqueles que concordam com a revisão do PNV para melhor se ajustar à realidade dos adultos é maior nos farmacêuticos (82,9%). Nos médicos ronda os 75,5%.
Entre os profissionais de saúde, foram ouvidos 151 médicos de Medicina Geral e Familiar, 79 pediatras, 104 médicos de Medicina Interna, 42 pneumologistas, 57 ginecologistas, 202 enfermeiros e 158 farmacêuticos.
Os dados recolhidos mostram que o PNV mantém uma perceção muito positiva e níveis de cumprimento elevados, mas, ainda assim, os profissionais de saúde reforçam a ideia de que pode evoluir.
Outro dos indicadores que cai -- embora se mantenha elevado (95,2%) -- refere-se aos pais que consideram desejável que os filhos sejam chamados para vacinação (-1,2 pontos percentuais).
Segundo os autores, estes resultados apontam para a necessidade de reforçar a comunicação e a literacia sobre as vacinas.
Na rubrica das vacinas fora do PNV, a recomendação médica continua a ser o principal fator de decisão, com grande abertura da população para seguir a indicação dos médicos.
No entanto, mais de metade (57,2%) indica o custo como o maior condicionante para adquirir as vacinas que não pertencem ao PNV, uma limitação reconhecida pelos profissionais de saúde, já que esta é a razão mais apontada para recomendarem estas vacinas com menor frequência.
De um modo geral, todos os grupos concordam que a vacinação tem um papel fundamental na saúde pública e no envelhecimento saudável da população, mas fazem-no com menor intensidade do que em 2023.
As doenças respiratórias / pneumocócicas e a doença meningocócica (que pode causar meningite) continuam a ser as que mais preocupam os especialistas em Medicina Geral e Familiar (médicos de família), pediatras e enfermeiros.
Já o esquema vacinal não gera muitas dúvidas, mas as vacinas do rotavírus, doença pneumocócica e doença invasiva por 'Haemophilus influenzae b' geram maior incerteza entre os enfermeiros.
À semelhança dos profissionais de saúde, a população associa maioritariamente o esquema vacinal às vacinas pediátricas e identifica melhor as vacinas do viajante (febre amarela, dengue, etc..).
No entanto, mostra maior incerteza na distinção entre vacinas de crianças e adultos, nomeadamente nas do Vírus Sincicial Respiratório, responsável pela maioria dos casos de infeções respiratórias em bebés, da covid-19 e hepatites.
Prevenção e proteção são as palavras que melhor definem a função do PNV aos olhos da população e 86% sabe que é gratuito. Contudo, pouco mais de metade (51,9%) sabe realmente a quem se destina.
A vacina contra o tétano continua a ser a vacina mais associada ao PNV pela população, embora mais de 20% continuem sem a identificar como integrando o programa.
Os farmacêuticos continuam a defender que devem ter um papel mais ativo na vacinação.
Os enfermeiros sentem-se capacitados para esclarecer sobre vacinação, mas reconhecem necessidade de reforçar conhecimentos em temas mais específicos, como a vacinação na população migrante.