CHEGA chama administração da TAP à Assembleia para esclarecer suspeitas
O grupo parlamentar do CHEGA na Assembleia da República requereu a audição urgente da administração da TAP na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, para prestar esclarecimentos sobre um conjunto de decisões de gestão e factos recentes que, para o CHEGA, levantam preocupações quanto à transparência, sustentabilidade financeira e governação da companhia.
Segundo nota à imprensa, o processo será acompanhado por Francisco Gomes, coordenador do CHEGA na 14.ª Comissão Parlamentar, que aponta que em causa estão, por um lado, "a impossibilidade de utilização de quatro aeronaves recentemente adquiridas, devido às restrições impostas pela Comissão Europeia no âmbito do plano de reestruturação, e, por outro, as suspeitas que recaem sobre o pagamento da indemnização de 500 mil euros a Alexandra Reis, actualmente sob investigação do Ministério Público".
A audição abrangerá o presidente executivo da TAP, Luís Rodrigues, e o presidente do Conselho de Administração, Carlos Oliveira, visando garantir o devido escrutínio parlamentar sobre decisões com impacto directo no erário público e no futuro de uma empresa estratégica para o país.
Estamos perante decisões e suspeitas que não são normais e que exigem respostas claras. O país não pode continuar a assistir a episódios obscuros sem consequências, pois está em causa o dinheiro dos portugueses e a credibilidade de uma empresa estratégica para Portugal". Francisco Gomes, deputado na Assembleia da República
Francisco Gomes considera que "a impossibilidade de utilização das aeronaves evidencia falhas graves de planeamento e gestão, ao mesmo tempo que as suspeitas em torno da indemnização paga a Alexandra Reis levantam questões sérias sobre os mecanismos de controlo interno da companhia e a atuação da sua administração".
Se há meio milhão de euros envolvidos em decisões sob suspeita e operações financeiras que podem gerar responsabilidade dos administradores, então quem gere a TAP tem de vir ao parlamento explicar-se perante os portugueses". Francisco Gomes, deputado na Assembleia da República
O parlamentar garante que o CHEGA continuará a exigir "total transparência na gestão da TAP e responsabilização por todas as decisões que coloquem em risco o interesse público, a sustentabilidade da empresa ou a correcta aplicação de recursos públicos".
E concluiu: "Não vamos aceitar silêncio, desculpas ou tentativas de fuga às responsabilidades. Quem administra empresas sustentadas pelo esforço dos contribuintes tem o dever de prestar contas de forma total e sem ambiguidades".