Jornadas Académicas debatem valorização do ensino da Enfermagem na Macaronésia
V Jornadas Académicas de Enfermagem da Macaronésia arrancaram hoje
A secretária regional de Saúde e Protecção Civil, Micaela Freitas, apontou que a enfermagem é, e continuará a ser, “a espinha dorsal dos sistemas de saúde”.
As V Jornadas Académicas de Enfermagem da Macaronésia (JAEM) arrancaram esta segunda-feira, dia 27 de Abril, procurando cumprir o objectivo de promover um espaço de encontro e partilha entre Instituições de Ensino Superior dos arquipélagos que compõem as Ilhas da Macaronésia - Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde.
Criadas pela Escola Superior de Enfermagem São José de Cluny, em parceria com a Universidade de Santiago de Cabo Verde, Universidade dos Açores e Universidade de Las Palmas de Gran Canaria, as JAEM tem percorrido um caminho de crescimento sedimentado na promoção da colaboração científica e na valorização do ensino da Enfermagem na Macaronésia.
Na sessão de abertura, Maria Luísa Santos, Presidente da Comissão Organizadora das JAEM, destacou a importância de “sistematizar, reflectir e construir um ensino de enfermagem comum nos quatro arquipélagos”, sempre com base numa prática de enfermagem baseada em evidências científicas.
Num dos sectores onde mais se apontam carências e quando muitos profissionais de enfermagem têm vindo a apresentar escusas de responsabilidade, nomeadamente aqueles ligados aos serviços de urgência hospitalar, a coordenadora do curso de enfermagem da ‘São José de Cluny’, sublinhou ser importante “empoderar os enfermeiros para a prestação de cuidados com qualidade”.
Olhando aos desafios que se colocam diariamente aos enfermeiros, em particular, Maria Luísa Santos sensibilizou os serviços de saúde que apresentem maior vulnerabilidade a “rechear os seus quadros com profissionais competentes”.
Na sua intervenção, a secretária regional de Saúde e Protecção Civil, Micaela Freitas, apontou que a enfermagem é, e continuará a ser, “a espinha dorsal dos sistemas de saúde”, por ser “a profissão que está mais próxima das pessoas, que acompanha todas as fases da vida, que acolhe, que cuida, que vigia, que educa, que ampara e que salva. E é também a profissão que mais se transforma, que mais se adapta e que mais exige formação contínua”.
A governante, que registou que estas jornadas são de “capital importância” porque permitem aprofundar conhecimento científico, partilhar boas práticas entre regiões, estimular a investigação e valorizar a formação académica, considerou haver ainda espaço para melhorias, não obstante os números regionais mostrarem uma realidade positiva, nomeadamente com um rácio de 10,8 enfermeiros por cada mil habitantes, um valor superior à média nacional, que se situa nos 8,1.
“Estes são os nossos indicadores. Mas, tal não significa que não seja preciso fazer sempre mais. E é com esse espírito de missão e vontade que estamos aqui. Para continuar a dignificar a enfermagem e para aprender convosco”, admitiu a secretária regional, para quem “a Macaronésia tem mostrado que a cooperação é o caminho. E a enfermagem tem mostrado que o conhecimento é a ferramenta mais poderosa para transformar realidades”.
Na Madeira – Serviço Regional de Saúde – trabalham, actualmente, 2.086 enfermeiros, dos quais 658 são especialistas. Em simultâneo, decorrem neste momento 46 projectos de investigação em enfermagem, que envolvem 139 enfermeiros.
Após intervenções dos parceiros da Macaronésia envolvidos nas Jornadas Académicas de Enfermagem da Macaronésia, coube à presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, Rubina Leal, encerrar a sessão, com enfoque no trabalho e na cooperação que têm vindo a ser desenvolvidos.
Lembrando que, na Região Autónoma da Madeira, temos vindo a afirmar uma política clara de valorização dos profissionais de saúde, e dos enfermeiros em particular, a presidente da ‘casa da democracia’, apontou que “este reconhecimento tem de se traduzir em melhores condições de trabalho, na aposta na progressão profissional e, sobretudo, na valorização das suas competências”.
Já sobre as V Jornadas Académicas, Rubina Leal disse ser uma oportunidade privilegiada para partilhar experiências, trocar conhecimentos e fortalecer redes de cooperação entre profissionais de saúde destes territórios.
“A Madeira orgulha-se de fazer parte deste espaço da macaronésia, que é, sem dúvida, uma mais-valia estratégica. A cooperação entre regiões insulares permite-nos crescer em conjunto, aprender com diferentes realidades e encontrar soluções inovadoras para desafios comuns”.
A finalizar, a ‘anfitriã’ destas V Jornadas Académicas de Enfermagem da Macaronésia deixou uma palavra de reconhecimento e de incentivo a todos os profissionais e estudantes presentes: “continuem a investir em vós, na vossa formação e no vosso compromisso com o cuidar”.