DNOTICIAS.PT
Guerra no Irão Mundo

Teerão envia chefe da diplomacia ao Paquistão para relançar negociações

None
Foto Shutterstock

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, deverá deslocar-se ao Paquistão este fim de semana para discutir esforços de cessar-fogo com os Estados Unidos, indicaram hoje fontes oficiais paquistanesas à agência Associated Press.

Os responsáveis, que falaram sob condição de anonimato, referiram que Araghchi viajará acompanhado por uma pequena delegação governamental, podendo chegar ainda hoje, sem adiantar mais detalhes sobre a visita.

O Paquistão tem procurado mediar o regresso às negociações entre Teerão e Washington, após o adiamento de uma segunda ronda de conversações inicialmente prevista para esta semana.

Segundo as mesmas fontes, o chefe da diplomacia iraniana manteve hoje contactos com o seu homólogo paquistanês, Ishaq Dar, e com o comandante do Exército paquistanês, Asim Munir, centrados nos desenvolvimentos regionais e nas condições de um cessar-fogo.

Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros paquistanês sublinhou a importância do diálogo contínuo para promover a estabilidade regional, destacando os esforços diplomáticos de Islamabad no contexto das tensões entre os Estados Unidos e o Irão.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou esta semana uma prorrogação indefinida do cessar-fogo com o Irão, a pedido do Paquistão, numa tentativa de criar espaço para negociações, embora as tensões militares se mantenham elevadas.

No estreito de Ormuz, ponto estratégico por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, o Irão terá atacado três navios esta semana, enquanto os Estados Unidos reforçaram a presença militar na região e mantêm restrições aos portos iranianos.

Washington conta atualmente com três porta-aviões destacados na área --- o USS George H.W. Bush, no Oceano Índico, o USS Abraham Lincoln, no Mar Arábico, e o USS Gerald R. Ford, no Mar Vermelho --- numa mobilização sem precedentes desde 2003, segundo o Comando Central norte-americano.

A escalada militar fez subir os preços do petróleo, com o Brent a ultrapassar os 107 dólares por barril, um aumento de cerca de 50% desde o final de fevereiro, quando ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão desencadearam o atual conflito.

Desde então, o número de vítimas ultrapassa os três mil mortos no Irão e mais de dois mil no Líbano, onde confrontos entre Israel e o Hezbollah se intensificaram, além de dezenas de mortos em Israel e noutros países da região.