"Altamente provável" que negociações entre EUA e Teerão sejam retomadas
O secretário-geral da ONU, António Guterres, considerou hoje "altamente provável" que as negociações entre os Estados Unidos (EUA) e o Irão sejam retomadas, após o Presidente norte-americano alegar que Teerão contactou Washington para uma nova ronda de conversas.
"A indicação que temos é que é altamente provável que estas negociações sejam retomadas", afirmou Guterres, numa conferência de imprensa em Nova Iorque.
O líder das Nações Unidas afirmou que falou hoje ao telefone com o vice-primeiro-ministro do Paquistão e aproveitou para expressar a sua "enorme admiração pela importantíssima iniciativa que o país tem vindo a tomar para trazer a paz ao Médio Oriente".
Ainda sobre as conversações entre Washington e Teerão, Guterres defendeu ser essencial que estas negociações continuem, embora frisando que seria "irrealista" esperar que um problema tão complexo e de longa data pudesse ser resolvido na primeira sessão de negociação, que decorreu no passado fim de semana em Islamabad.
"Por isso, precisamos que as negociações continuem e que o cessar-fogo persista durante este período", acrescentou.
Donald Trump indicou hoje que o Irão tinha entrado em contacto com os EUA para uma nova ronda de negociações, mas não confirmou se o país aceitou ou não.
O vice-presidente norte-americano, JD Vance, afirmou que a decisão de regressar à mesa de negociações cabe aos iranianos.
Vance, que liderou a delegação norte-americana que viajou para o Paquistão, reconheceu numa entrevista à estação Fox News que algumas coisas correram bem e outras mal.
"A grande questão agora é se os iranianos aceitarão ou não os pontos-chave de que precisamos para avançar", observou o vice-presidente.
O Irão ainda não confirmou a realização de novas negociações, mas, após a primeira ronda, deixou a porta aberta para uma maior cooperação caso Washington atue com seriedade.
Já sobre as negociações entre Israel e o Líbano, que decorrem hoje em Washington, Guterres declarou que também "ninguém espera que estas conversações resolvam todos os problemas" num único dia.
"Mas penso que será muito importante se estas conversações criarem as condições para uma mudança na forma como os atores têm desenvolvido as suas atividades. Até agora, a verdade é que o [grupo xiita] Hezbollah e Israel sempre se ajudaram mutuamente a desestabilizar o Governo do Líbano", observou o secretário-geral.
"Sempre que Israel ocupa parte do território libanês, é esse o pretexto que o Hezbollah utiliza para dizer: 'Não podemos desarmar. Temos de manter a resistência'. Sempre que o Hezbollah lança rockets contra Israel, mesmo depois de ter prometido que não o faria, Israel utiliza imediatamente esse pretexto para esta operação maciça contra o Líbano", explicou.
O antigo primeiro-ministro português salientou que o Governo do Líbano "está totalmente empenhado, por um lado, na integridade territorial do Líbano, mas, por outro, em manter o monopólio do uso da força, o que implica o desarmamento do Hezbollah".
Por isso, defendeu, é tempo de Israel e do Líbano trabalharem em conjunto.