Dados médicos de 500 mil britânicos colocados à venda na China
O ADN e outros dados de saúde confidenciais de 500 mil pessoas que se voluntariaram para um estudo de saúde no Reino Unido foram colocados à venda na China pela Internet, confirmou hoje o Governo britânico.
As informações provenientes da base de dados do Biobanco [UK Biobank no original em inglês] do Reino Unido foram encontradas à venda no 'site' Alibaba, mas não incluíam nomes, moradas, dados de contacto ou números de telefone, garantiu o secretário de Estado da Tecnologia, Ian Murray, no parlamento.
Porém, Murray afirmou que não podia dar garantias absolutas de que ninguém pudesse ser identificado, uma vez que os dados podiam incluir sexo, idade, mês e ano de nascimento, estatuto socioeconómico, hábitos de vida e análises de amostras biológicas.
Murray referiu que as informações foram descarregadas legitimamente por três instituições de investigação na China, às quais foi agora revogado o acesso.
A fuga de dados constituiu um "abuso inaceitável" e o Governo está a trabalhar para apurar como isso aconteceu, acrescentou.
Agradecendo ao governo chinês pela sua cooperação, Murray afirmou que não se realizaram quaisquer compras e que os dados já foram retirados.
O 'biobanco' britânico é um projeto pioneiro que pode ser utilizado por cientistas de todo o mundo para investigação considerada de interesse público.
Aqueles que concordaram em disponibilizar todos os seus dados relacionados com a saúde para investigação tinham entre 40 e 69 anos quando aderiram ao estudo, entre 2006 e 2010.
Os participantes fornecem informações detalhadas sobre o seu estilo de vida através de questionários digitais e consentiram em fornecer dados dos seus registos de saúde e informações relacionadas.
Alguns também fornecem exames físicos realizados com equipamento de imagiologia médica, fornecem amostras adicionais de sangue, urina e saliva, usam monitores de atividade física ou monitores de saúde cardíaca.
As informações são anónimas, mas úteis para avaliar como as doenças se desenvolvem e procurar melhorias na deteção e no tratamento de patologias como demência, cancros e doença de Parkinson.
Os dados do 'biobanco' britânico foram citados em mais de 18 mil artigos científicos.