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Relações entre China e Rússia são "preciosas" no actual contexto internacional

Foto EPA/Iori Sagisawa / POOL
Foto EPA/Iori Sagisawa / POOL

O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou hoje que a estabilidade e a previsibilidade das relações entre a China e a Rússia são particularmente "preciosas" num contexto internacional marcado por "mudanças e turbulência".

Durante um encontro em Pequim com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, Xi considerou que a "forte vitalidade" e o "significado exemplar" do tratado de amizade entre os dois países se destacam ainda mais neste cenário.

O líder chinês defendeu que os ministérios dos Negócios Estrangeiros de ambos os países devem implementar plenamente o consenso alcançado com o Presidente russo, Vladimir Putin, apelando ao reforço da comunicação estratégica e à coordenação diplomática.

Xi instou ainda as duas partes a promover a parceria estratégica abrangente entre Pequim e Moscovo para que "atinja novos patamares, avance de forma mais estável e vá mais longe".

O Presidente chinês não especificou, contudo, a que se referia ao mencionar "mudanças e turbulência" no cenário internacional, numa altura em que persiste a incerteza sobre a duração da guerra no Irão.

Numa entrevista à Fox Business Network, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na terça-feira que o conflito estaria "perto do fim", tendo reiterado a posição de que Washington alcançou uma vitória, apesar de a situação no terreno continuar incerta.

As relações entre a China e a Rússia têm-se aprofundado nos últimos anos, em particular após a invasão russa da Ucrânia, no início de 2022.

Quando Putin visitou a China em setembro, Xi recebeu o homólogo como um "velho amigo", tendo o líder russo retribuído o gesto ao tratá-lo como "querido amigo".

Lavrov chegou à China na terça-feira para uma visita de dois dias, a convite do homólogo chinês, Wang Yi.

Lavrov diz a Xi que China e Rússia desempenham "papel estabilizador" no mundo

Já o ministro dos Negócios Estrangeiros russo afirmou ao Presidente chinês que as relações entre a Rússia e a China desempenham "um papel estabilizador" nos assuntos mundiais.

Lavrov considerou que os laços entre Moscovo e Pequim "são cada vez mais importantes para a maioria da população mundial", segundo a versão em chinês do órgão russo Sputnik.

O chefe da diplomacia russa afirmou que, "para a maioria do mundo que deseja um ambiente pacífico para o desenvolvimento sustentável, em vez de instabilidade", a relevância das relações bilaterais entre a China e a Rússia "é cada vez mais evidente".

Lavrov indicou ainda que, "graças à colaboração" entre Xi e o homólogo russo, Vladimir Putin, as relações bilaterais "têm demonstrado um elevado grau de resiliência face à agitação económica e geopolítica que o mundo enfrenta atualmente, a qual, lamentavelmente, está a adquirir cada vez mais um caráter militar".

O responsável russo reuniu-se na terça-feira com o homólogo chinês, Wang Yi, que afirmou que Pequim e Moscovo "coordenam plenamente as suas posições" e "apoiam-se mutuamente" no plano internacional, sublinhando que a "responsabilidade" é particularmente relevante num momento de mudanças no cenário global.

Lavrov criticou o que classificou como tentativas de "conter" a China e a Rússia através de estruturas de "blocos" na Ásia, numa referência à situação em torno de Taiwan, do mar do Sul da China e da península coreana.

A China e a Rússia têm vindo a estreitar relações nos últimos anos.

Pouco antes da invasão russa da Ucrânia em larga escala, Xi e Putin proclamaram, em Pequim, uma "amizade sem limites" entre os dois países.

Desde o início do conflito, Pequim tem mantido uma posição ambígua, defendendo a proteção da soberania de todos os países, numa alusão à Ucrânia, e a consideração pelas "legítimas preocupações de segurança", numa referência à Rússia.

A China tem negado reiteradamente estar a fornecer apoio a Moscovo nas operações na Ucrânia, acusações feitas por governos ocidentais.

Putin visita China ainda na primeira metade do ano

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo anunciou ainda que o Presidente russo, Vladimir Putin, vai visitar a China na primeira metade deste ano, num contexto internacional marcado pela guerra no Irão.

Lavrov fez o anúncio numa conferência de imprensa no final da visita oficial ao país asiático, após a reunião com o Presidente chinês, Xi Jinping, e com o seu homólogo, Wang Yi.

O anúncio surge numa altura em que é esperada, para Maio, a visita a Pequim do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevista para os dias 14 e 15, o que abre a possibilidade de as deslocações de Putin e Trump à China ocorrerem com reduzido intervalo temporal.

Está também previsto que Putin, que já visitou o país asiático mais de duas dezenas de vezes enquanto Presidente russo, regresse à China em novembro para participar, pela primeira vez desde 2017, na cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia - Pacífico (APEC), que terá lugar este ano na cidade de Shenzhen, no sudeste da China.