China quer continuação da "dinâmica das negociações de paz"
O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou hoje que Pequim apoiava "a manutenção da dinâmica das negociações de paz" no Médio Oriente, em particular sobre o Irão, e quer continuar a desempenhar um papel construtivo.
As negociações "são do interesse fundamental do povo iraniano" e a China está disposta a continuar a desempenhar "um papel construtivo" para a paz no Médio Oriente, afirmou Wang Yi durante um telefonema com o homólogo iraniano, Abbas Araghchi, segundo um comunicado.
A China é o principal parceiro comercial do Irão e um dos seus aliados mais influentes.
Wang Yi afirmou que "a segurança soberana do Irão, bem como os seus direitos e interesses legítimos, devem ser respeitados e protegidos" enquanto país estratégico no estreito de Ormuz, sublinhando que "ao mesmo tempo, (...) a liberdade de navegação e a segurança devem ser garantidas".
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, indicou, por sua vez, que Teerão "contava com a China para desempenhar um papel positivo na promoção da paz e na cessação do conflito", de acordo com o comunicado da diplomacia chinesa.
Araghchi manifestou igualmente "a vontade do Irão de continuar a procurar uma solução racional e realista através de negociações pacíficas", segundo a mesma nota informativa.
O Irão recebeu hoje uma delegação paquistanesa liderada pelo influente chefe do exército, Asim Munir, depois de ter afirmado que prosseguirá as suas conversações com os Estados Unidos através do Paquistão, informou a televisão estatal.
De acordo com a televisão estatal iraniana, a delegação leva uma nova mensagem de Washington para Teerão e deverá debater futuras negociações com as autoridades iranianas, na sequência do fracasso da primeira ronda de negociações entre os dois países.
Teerão e Washington não conseguiram chegar a um acordo no fim de semana passado em Islamabad, mas as autoridades paquistanesas anunciaram estarem a desenvolver esforços para novas negociações.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, disse, numa entrevista à estação Fox Business, que a guerra no Irão podia terminar "muito em breve".
Numa tentativa de pressionar o Irão, e de impor a reabertura do estreito de Ormuz, Trump anunciou na segunda-feira um bloqueio ao tráfego marítimo nos portos iranianos.
Em resposta, o chefe das forças iranianas, o general Ali Abdollahi, afirmou que o Irão não vai permitir "nenhuma exportação ou importação no golfo Pérsico, no mar de Omã ou no mar Vermelho".
No plano diplomático, o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, viajou hoje para a Arábia Saudita para se reunir com o príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman.
Sharif e a delegação que o acompanha deverão também visitar o Qatar e a Turquia.
O líder paquistanês viaja acompanhado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Ishaq Dar, numa missão que o seu Governo classificou oficialmente como de "contexto bilateral".
No entanto, a deslocação ocorre dentro do prazo avançado pelo Presidente norte-americano e por fontes diplomáticas ouvidas pela agência de notícias espanhola EFE, que apontaram para o reinício do diálogo no final desta semana ou no início da próxima.
As mesmas fontes acrescentaram que a proposta para um segundo encontro já foi enviada às delegações dos Estados Unidos e do Irão, para desbloquear as negociações sobre o enriquecimento de urânio.
Entretanto, o jornal The Washington Post noticiou hoje que o Pentágono (Departamento de Defesa dos Estados Unidos) está a preparar o envio adicional de 4.200 militares para o Médio Oriente.
Um cessar-fogo de duas semanas entrou em vigor em 08 de abril para permitir negociações entre os Estados Unidos e o Irão sob mediação do Paquistão.