Presidente da República apela à "responsabilidade social da riqueza"
O Presidente da República, António José Seguro, apelou hoje à "responsabilidade social da riqueza", defendendo que o mecenato deve ser visto como um dever, uma obrigação moral e um imperativo da vida em sociedade.
Falando em Braga, durante a inauguração do Muzeu - Pensamento e Arte Contemporânea, um investimento de 40 milhões assumido pela construtora dst, Seguro sublinhou que este é um exemplo que representa bem "a responsabilidade social da riqueza".
"Ou seja, a devolução à comunidade de um bem que não pode estar encerrado e que deve destinar-se à fruição de todos como um alimento espiritual, um alimento de inquietação e de alento", referiu.
Para o Presidente, este é um exemplo "que deve frutificar", não só nas artes, mas também noutras áreas, como a proteção do património, o incentivo à leitura, aos leitores e aos autores e a inovação arquitetónica.
"Falamos frequentemente da lei do mecenato, que é, ou poderá ser a partir de agora, um importante instrumento a pôr em marcha no nosso país. Mas é fundamental que o mecenato não seja apenas um instrumento, mas também um fim. É fundamental que seja visto como um dever, uma obrigação moral, o imperativo da vida em sociedade", advogou.
Lembrou que foi o mecenato possibilitou, no passado, que as artes se desenvolvessem e que os autores e criadores tivessem apoio, reconhecimento e tempo.
"Aquilo a que hoje assistimos neste edifício recuperado, transformado e aberto à comunidade é um passo, um passo importante e um exemplo dessa responsabilidade social da riqueza", sublinhou.
Disse que bibliotecas, museus, escolas, galerias, arquivos, coleções ou doações de arte e companhias de teatro "nasceram" no país muito graças ao empenhamento, ao sentido do dever e à paixão de empresários, famílias e fundações "que acompanharam ou complementaram o esforço do setor público do Estado".
Para o futuro, disse esperar que o mecenato "possa ampliar e diversificar o financiamento das artes e da cultura".
"Numa sociedade que pretendemos cada vez mais justa, plena, realizada, devemos lembrar e recordar esse princípio [da responsabilidade social da riqueza], ao reconhecer, como neste caso, neste museu, que estamos no bom caminho ou que estamos diante de um bom exemplo", disse ainda.
Na sua intervenção, o Presidente vincou ainda que "uma vida sem arte não pode ser celebrada em pleno".
A construtora dst investiu cerca de 40 milhões de euros na implantação de um museu de cinco andares no centro histórico da cidade de Braga, que vai ser inaugurado na quinta-feira, foi hoje anunciado.
Trata-se do Muzeu - Pensamento e Arte Contemporânea, que visa a promoção do pensamento crítico e o ativismo social através da arte contemporânea, da filosofia e do debate.
Instalado no edifício onde já funcionou o Tribunal Judicial de Braga, o Muzeu é composto por quatro pisos de exposição e um auditório.
Para o presidente do conselho de administração da empresa, José Teixeira, este é um investimento na formação, no conhecimento, na ciência e na cultura.
"Sem cultura, o mundo fica ainda mais turbulento e ingovernável", referiu.