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UGT continua a não ser rigorosa com a verdade, acusa Confederação Empresarial de Portugal

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O presidente da CIP -- Confederação Empresarial de Portugal acusou hoje a UGT de continuar a "não ser rigorosa com a verdade" ao dizer que não aceita pontos que não fazem parte da proposta de revisão da legislação laboral.

"Não diria que estamos em negociação, mas numa coreografia em que se pretende fingir que há uma negociação [...]. Estivemos sempre disponíveis para ouvir todas as preocupações da UGT, o problema é que a UGT continua a não ser rigorosa com a verdade", afirmou o presidente da CIP, Armindo Monteiro, em declarações à Lusa.

O secretariado nacional da UGT rejeitou hoje por unanimidade a última versão da proposta de revisão da legislação laboral apresentada pelo Governo, mas "continua sempre disponível" para negociar se o executivo tiver alguma nova proposta.

A ministra do Trabalho instou hoje a UGT a "mostrar que quer efetivamente uma aproximação" e disse que vai convocar uma reunião de Concertação Social para 07 de maio para encerrar o processo negocial.

Uma das linhas vermelhas apontadas pelo líder da UGT prende-se com a decisão de integração dos trabalhadores despedidos ilicitamente ficar do lado do empregador.

Contudo, segundo a CIP, este ponto nunca esteve em cima da mesa.

"Continuamos a ver e ouvir inverdades sobre a proposta. Para quem não tem participado nas reuniões é justificável. O que não é desculpável é quem participa nas reuniões não ser rigoroso com a verdade", apontou.

Armindo Monteiro disse ter recebido o 'chumbo' da UGT sem surpresa e sublinhou que a central sindical conseguiu o que queria -- arrastar o processo para depois da manifestação de 01 de Maio, Dia do Trabalhador, para que não fosse criticada pela CGTP.

"Recebemos, naturalmente, sem surpresa. Se o totoloto fosse assim tão fácil, todos os portugueses o ganhariam", insistiu.

O presidente da CIP garantiu que, neste momento, é "ponto de honra" para a confederação que os portugueses sejam esclarecidos relativamente à proposta em causa, assegurando não existir nenhum ponto que diminua os direitos de parentalidade, o direito à greve ou que diga que o despedimento é arbitrário.

"É altura de se falar verdade e de, uma vez por todas, se parar com estas insinuações de que os empresários estão a querer o que não querem", rematou.

De acordo com a ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, a UGT "terá que mostrar que quer efetivamente uma aproximação", ao invés de "continuar a ter pretextos para fazer fugas para a frente", numa alusão ao facto de o órgão executivo máximo da UGT ter rejeitado pela segunda vez a proposta em discussão, apelando ao prolongamento das negociações.

Deste modo, "o Governo esperará nos próximos dias uma posição realmente construtiva e clara da UGT sobre os poucos pontos que ficaram em aberto" na sequência do processo negocial, indicou a ministra do Trabalho.

Palma Ramalho sinalizou ainda que "se essa posição vier", o executivo poderá "fazer um último esforço" de aproximação. "Se não avançaremos com o diploma para o parlamento". acrescentou.