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Maria e seus 45 irmãos do mesmo pai

Fomos à ilha de Santiago, com a intenção de conhecer o Campo de Concentração do Tarrafal, onde os patriotas portugueses antifascistas foram desterrados por defenderem a liberdade e querer derrubar o salazarismo e construir uma sociedade democrática. Por este campo de concentração também passaram os nacionalistas e patriotas de Cabo Verde, Guiné e Angola. Este campo de concentração-prisão só foi encerrado com a Revolução Democrática em Portugal, a 25 de Abril de 1974. É nossa intenção, quando estamos de férias, tentar conhecer o povo, seus hábitos e costumes. Na praia, ao fim da tarde, falámos com um grupo de estudantes, das suas aspirações, sobre a liberdade e cooperação entre os povos. Registámos a opinião de um jovem que quer ser comandante da polícia: «A sorte de Cabo Verde é ser pobre, não ter petróleo, porque somos felizes, não temos guerra, vivemos em paz».

Gostámos imenso do desfile de Carnaval, onde encontrámos um grupo de participantes açorianos, que já tinham participado num evento similar na Ribeira Brava, aqui na Madeira. Mas o que mais surpreendeu foi a quantidade de jovens de tenra idade.

No dia seguinte, no hotel onde estamos alojados, falámos com a Maria, a sua gerente, jovem muito simpática, sobre a demografia de Cabo Verde, que contraria a situação na Europa. Maria sorriu e disse que tinha 45 irmãos, todos do mesmo pai, e que ele era muito simpático e amigo das suas mulheres e filhos.

Seu pai, de nome Caetano dos Santos, o Fatinho (seu nominho), conhecido por Caetano Veloso, era muito conhecido na ilha do Fogo e em todo o país, e recomendou-me que visse na Internet o que dizem do seu pai.

Fatinho vive no Chã das Caldeiras, na área da erupção da ilha vulcânica e, em 1995, apresentou à comunicação social os seus 35 filhos e 5 mulheres, tendo ele apenas 32 anos. Mais tarde, na TV e em diversos jornais estrangeiros, Fatinho apresentou os seus 46 filhos e as 3 mulheres, porque duas, entretanto, emigraram.

Fatinho, agricultor famoso, é conhecido pela prole numerosa; também é pedreiro, criador de gado e assumido polígamo.

Conheceu a primeira mulher, tinham ambos 17 anos, e um ano depois teve a primeira filha. Da primeira mulher teve 22 filhos. Mas o nosso gentil e sensível homem tinha, ao mesmo tempo, outra mulher…

Seu segredo é ter convivência pacífica com todas as mulheres e tratar todas por igual.

Sua receita é simples: «ser boa pessoa, respeitar toda a gente e assim qualquer mulher pode gostar do homem», mas ele adverte que, se bebes, fumas, jogas ou és malcriado, ninguém vai querer relacionamento amoroso.

Quanto à sua capacidade de procriar, ele não sabe a razão… suspeita de ele ter sangue doce…

Não há, em toda a ilha, quem não conheça a sua história. Não há homem que não comente, entre sorrisos matreiros, invejas pequenas ou simplesmente expressões de respeito.

O nosso homem não tem nome em nenhuma rua, ele tem uma rua na Bangueira, Chã das Caldeiras, com uma sequência de casas alinhadas para as suas 3 mulheres e filhos. A mãe de Maria (que continua a viver na ilha do Fogo) morava um pouco mais afastada, na Portela. Maria resume dizendo: «todos nós nos damos bem, todos nos conhecemos porque crescemos juntos».

Cada dia dorme com uma mulher diferente e todas convivem em casas umas das outras.

Fatinho, segundo alguma imprensa, não se lembra do nome de mais de metade dos seus filhos. Ele é o homem mais fértil de Cabo Verde, a sua fama confunde-se com o próprio vulcão! Maria, a nossa amiga, afirma que: «se estivermos todos juntos ele consegue dizer os nomes todos porque nos separamos depois de estarmos crescidos».

Não é uma vida fácil, se fizermos as contas: um almoço, um jantar, um café, são 3 vezes, quarenta e seis vezes 3; se estiverem todos juntos são 138 pratos por dia, o que não deverá ser difícil perceber a situação desta família, quanto à alimentação, escola e saúde.

Agradeço-te, Maria, pelas informações e colaboração neste texto, e relembro o poeta Camões: O amor é fogo que arde sem se ver/ferida que dói e não se sente/é um contentamento descontente/é dor que desatina sem doer.