Guerra no Médio Oriente começa a enfraquecer a Europa
O Presidente turco afirmou hoje que a guerra no Médio Oriente "começa a enfraquecer a Europa" durante uma conversa com o homólogo alemão e alertou para danos superiores caso não seja alcançada uma paz plena.
"A guerra na nossa região também começa a enfraquecer a Europa e, se não intervirmos nesta situação com uma abordagem que privilegie a paz, os danos causados pelo conflito serão muito mais graves", declarou Recep Tayyip Erdogan a Frank-Walter Steinmeier durante uma chamada telefónica, de acordo com um comunicado da presidência turca.
A comunicação entre os dois chefes de Estado surgiu no mesmo dia em que o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, iniciou uma visita oficial a Ancara.
No início do dia, o chefe de Estado turco salientou durante uma reunião com Rutte que a Turquia "posicionou-se do lado da paz e da diplomacia no processo desencadeado pelos ataques contra o Irão".
"A manutenção do vínculo transatlântico é de importância capital e a Turquia espera que a componente europeia da Aliança assuma mais responsabilidades. Excluir os aliados europeus não membros da União Europeia das iniciativas de defesa desta última seria contraproducente", acrescentou Erdogan.
A NATO "fará sempre o necessário para defender a Turquia", país-membro da Aliança Atlântica alvo de quatro disparos de mísseis iranianos no mês passado, precisou, por seu lado, Rutte.
De acordo com a agência de notícias oficial turca Anadolu, o secretário-geral da NATO tinha previsto reunir-se durante o dia com o Presidente, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Hakan Fidan, e o ministro da Defesa da Turquia, Yasar Guler.
Não estavam previstas declarações à imprensa em Ancara, embora Rutte tenha visitado, segundo relatos da imprensa local, uma instalação da indústria de defesa na capital turca.
Rutte afirmou que os aliados devem "acelerar a produção de defesa e, ao mesmo tempo, fomentar a inovação", de acordo com a Anadolu.
"Esta é uma das prioridades da NATO e será um dos temas principais na cimeira da NATO que se realizará em Ancara em julho", acrescentou.
A imprensa local noticiou que nas conversações em Ancara, Rutte e os líderes turcos vão centrar-se nos preparativos da cimeira de julho, onde se pretende transmitir uma mensagem de unidade, coesão e solidariedade da Aliança Atlântica.
O encontro realiza-se num momento de tensão no Médio Oriente, bem como de debates internos na NATO sobre o futuro, o que torna necessários preparativos ainda mais minuciosos, salientaram os meios de comunicação turcos.
Em meados deste mês, Fidan afirmou que a cimeira de Ancara "poderá ser uma das mais importantes da história da NATO".
Enquanto prosseguem os preparativos para o encontro de julho, a grande incógnita é se o Presidente norte-americano vai participar na cimeira e como o descontentamento com a Aliança poderá afetar as relações transatlânticas.
Donald Trump tem também ameaçado por diversas vezes retirar o país da NATO pela alegada falta de apoio dos aliados.