Alimentos, medicamentos, pó, ácaros, entre outros podem provocar reacções alérgicas. Para identificar a causa de uma alergia é importante conhecer a história clínica do paciente. E, se não for suficiente, é necessário realizar um teste cutâneo ou uma análise ao sangue.
Ninguém está a salvo de sofrer uma reacção excessiva e inadequada do sistema imunitário por ter tido contacto com certas substâncias. Quem tem predisposição genética para tal e familiares alérgicos enfrenta um risco maior.
Saiba, através deste Explicador, como podem ser diagnosticadas as alergias.
O que são as alergias?
Antes de mais é necessário perceber o que são alergias. Segundo a CUF, as alergias são respostas exageradas do organismo após o contacto com o ambiente que o rodeia, sendo mais frequentes quando existe uma tendência familiar, isto é, um risco genético para ocorrerem. Ou seja, pode-se dizer que “as alergias são um excesso de defesas”.
Além da genética, existem factores considerados de risco relacionados, por exemplo, com o estilo de vida das sociedades ocidentais, nomeadamente sedentarismo, alteração da dieta, obesidade, poluição, exposição a alergénios, consumo excessivo de medicamentos, segundo a CUF, influenciam no aumento da expressão das doenças alérgicas.
Quais são os sintomas?
Os sintomas dependem, sobretudo, da substância que provoca a alergia e a idade do doente. Mas, as principais queixas são:
- Olhos inflamados e lacrimejantes;
- Corrimento nasal ou nariz entupido;
- Erupções cutâneas, muitas vezes, avermelhadas e com prurido;
- Sensação de falta de ar;
- Fadiga, debilidade e dores de cabeça;
- Choque anafilático, dificuldade respiratória, asfixia ou colapso vascular podem ocorrer em casos mais graves de exposição a um alergénio.
Que tipo de testes de alergias existem?
Para identificar o responsável pela alergia, é importante conhecer o historial clínico do paciente. Mas, quando este não é suficiente, a DecoProteste refere que um teste cutâneo ou uma análise ao sangue podem auxiliar na resposta.
- Testes cutâneos
Consistem em expor áreas muito pequenas da pele a soluções pré-preparadas com quantidades ínfimas de substâncias potencialmente alergénicas. São úteis para testar a sensibilidade de uma pessoa a várias substâncias, desde fungos e veneno de insectos a alimentos e medicamentos. Todavia, no caso de alimentos, são necessários outros exames adicionais para confirmar ou excluir a alergia.
Há que ter em atenção que, antes de fazer um teste cutâneo, poderá ser necessário interromper alguma medicação, como os anti-histamínicos, que provocam um resultado falsamente negativo ao teste.
Existem três tipos de testes cutâneos. No teste da picada o local a picar é limpo com álcool. Sobre a pele são colocadas gotas de várias soluções, cada uma com um potencial alergénio e separadas por uma distância de dois a cinco centímetros entre si. A pele é picada com uma agulha, através das gotas, para que a solução penetre na camada superficial. Se for alérgico a esse agente, 15 a 20 minutos depois, a pele fica avermelhada, formando uma pápula e provocando comichão.
No teste intradérmica, a solução com o alergénio é injectado com uma agulha e penetra mais profundamente na pele. Se existirem sintomas, estes aparecem 15 a 20 minutos depois. Este teste é utilizado quando os resultados do teste de picada são negativos, mas ainda há suspeitas de que o paciente possa ser alérgico à substância.
Por fim, o teste de contacto é utilizado para detectar uma alergia da pele chamada ‘dermatite de contacto’. São colocados adesivos embebidos com as substâncias suspeitas em contacto com a pele, geralmente nas costas. Os adesivos ficam, no máximo, dois dias, durante os quais não deve ser tomado banho ou fazer esforços físicos que causem muita transpiração, para evitar que os adesivos descolem. Quando estes são retirados, verifica-se se há sinais de reação alérgica.
- Teste RAST (radioalergoabsorvente)
Entre outros fins, este teste permite determinar qual a substância a que a pessoa é mais alérgica, em caso de testes cutâneos repetidamente positivos a alergénios diferentes. É utilizado numa fase inicial de despiste ou quando não é possível recorrer aos testes cutâneos, devido a inflamações na pele ou à impossibilidade de interromper tratamentos com anti-histamínicos, por exemplo. Consiste numa análise ao sangue, para quantificar os anticorpos da classe IgE, libertados em reacções alérgicas, face a um determinado alergénio ou grupo de alergénios. Os níveis de imunoglobulina (anticorpos) estão, muitas vezes, elevados em pessoas que têm alergias ou asma e também em quem tem parasitas no intestino.
- Teste de provocação
É utilizado em adultos e crianças. É realizado como último recurso, depois de outros testes, para despistar alergias alimentares. Consiste em colocar a criança em contacto directo com quantidades crescentes do alimento suspeito. Porque podem ocorrer reacções graves, este tipo de teste só pode ser feito por indicação médica, num hospital e sob vigilância de um profissional de saúde, durante 24 horas. Também se usa este tipo de teste no caso de suspeita de alergias a medicamentos.
Intolerância e reações alérgicas cruzadas
Por terem sintomas semelhantes, a alergia alimentar e a intolerância são muitas vezes confundidas. Na verdade, segundo refere a DecoProteste, fazem intervir mecanismos corporais distintos. Numa alergia, o organismo, habituado a produzir anticorpos para lutar contra as bactérias e os vírus nocivos, reage a substâncias, à partida, inofensivas, mas entendidas como perigosas.
A intolerância é um tipo de hipersensibilidade, em que o sistema imunitário, responsável pelas defesas do organismo, não intervém. O organismo tem carência de uma enzima necessária à digestão de determinado nutriente, como é o caso da intolerância ao glúten ou à lactose do leite.
Existem sintomas comuns, no entanto, no caso da intolerância alimentar são essencialmente digestivos:
- Gases e inchaço abdominal;
- Dores de estômago;
- Azia;
- Dores de cabeça;
- Irritabilidade ou nervosismo.
Reactividade cruzada
Entre as pessoas alérgicas, esta é uma situação cada vez mais familiar. Quando alguém tem uma reacção alérgica a certa substância, pode ter um efeito idêntico se contactar com um elemento semelhante ou da mesma família. Diz-se, então, que há uma reactividade cruzada ou alergia cruzada.
Normalmente, isto deve-se ao facto de os alergénios (por exemplo, amendoins e frutos de casca rija) possuírem características semelhantes, que desencadeiam as defesas imunitárias do organismo.
As pessoas alérgicas ao pólen, por exemplo, têm mais probabilidade de terem alergias alimentares. Mais de metade das pessoas que sofrem de de rinoconjuntivites (forma de rinite que engloba perturbações das vias nasais e oculares) por contacto com o pólen de amieiro, aveleira e vidoeiro são também sensíveis à maçã, à avelã e ao pêssego.
Também frequente é a associação entre a alergia a látex e a alguns alimentos, verificada entre as pessoas que usam luvas de borracha, na sua actividade profissional, por exemplo. Os cruzamentos mais comuns ocorrem com frutos como banana, pera-abacate, castanhas e quivi.
As associações alérgicas podem, ainda, surgir entre alimentos. É o que acontece com a soja, a carne de vaca e o leite de cabra, no caso dos alérgicos ao leite de vaca. Também as reacções a diferentes frutos secos e entre vários crustáceos e moluscos obrigam os que a eles são sensíveis a um autêntico quebra-cabeças alimentar.
Ao tomar um antibiótico do mesmo grupo daquele que já lhe provocou uma alergia ou outros medicamentos com uma composição química parecida, também se corre o risco de sofrer uma alergia cruzada.
Fontes: CUF e DecoProteste