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Madeira

PS acusa Câmara do Funchal de "tentar apagar as conquistas e os valores de Abril"

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A Concelhia do Funchal do Partido Socialista acusa a Câmara Municipal do Funchal de "tentar apagar as conquistas e os valores de Abril e de desprezar a autonomia do poder local, precisamente quando se comemoram os 50 anos da sua consagração na Constituição".

É desta forma que os socialistas reagem ao facto de a autarquia não promover nenhuma iniciativa para assinalar o 25 de Abril. A presidente da estrutura concelhia acusa a câmara liderada pela coligação PSD/CDS de “amordaçar a liberdade e a democracia”, num claro retrocesso que já se havia iniciado no executivo anterior e que, agora, culmina com esta “escandalosa e inaceitável decisão de colocar Abril na gaveta”.

De acordo com Isabel Garcês, esta atitude só comprova a “evidente aversão” que o PSD tem vindo historicamente a revelar em relação à celebração do 25 de Abril na cidade do Funchal. “A postura do PSD não é circunstancial e traduz uma dificuldade mais profunda em lidar com o significado político e histórico de Abril”, afirma a socialista, lembrando que, durante anos, esta efeméride foi sempre desvalorizada e nunca assumida como um momento central da vida cívica local. Tanto assim é que, só a partir de 2014, com a liderança do Partido Socialista na autarquia, o 25 de Abril passou a ser comemorado, com uma sessão solene que dava voz a todos os partidos e com iniciativas plurais e abertas ao povo.

Lamentavelmente, constata o PS em nota à imprensa, com o executivo liderado por Pedro Calado e Cristina Pedra, foi retirada a palavra aos eleitos pelo povo e agora, sob a presidência de Jorge Carvalho, não só não há sessão solene, como nenhuma outra iniciativa, o que mostra “uma clara tentativa de passar uma borracha sobre os valores e as conquistas de Abril”. “Uma cidade deve afirmar-se como espaço de memória democrática, espaço de liberdade e pluralidade, mas esta câmara opta por impor o silêncio”, critica Isabel Garcês.

Para a presidente do PS-Funchal, esta postura da edilidade é ainda mais grave numa altura em que se assinalam os 50 anos da consagração do poder local e da Autonomia. “Vemos um PSD que enche a boca para falar de autonomia, mas, quando está num órgão de poder local, como é a Câmara do Funchal, abdica da sua própria autonomia”, repara a socialista, referindo-se ao facto de a autarquia alegar que a evocação da Revolução tem lugar na Assembleia Legislativa. “Quando se pede mais autonomia e mais descentralização, a Câmara e a Assembleia Municipal do Funchal fazem precisamente o contrário”, aponta Isabel Garcês.

A socialista frisa ainda que a liberdade e a participação são resultado de Abril, acusando o executivo camarário PSD/CDS de tentar atropelar as conquistas alcançadas e apagar um marco histórico e transformador da vida social, política e cultural do País e da Região.