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Guerra no Irão Mundo

Casa Branca reúne responsáveis de segurança antes do fim do cessar-fogo

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Os principais responsáveis de segurança da administração norte-americana iniciaram hoje uma reunião na Casa Branca, a poucas horas do fim do cessar-fogo com o Irão e num momento de incerteza sobre o reinício de negociações de paz.

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, que tinha viagem marcada para Islamabad na manhã de hoje para liderar a delegação negocial norte-americana, foi um dos dirigentes que chegou à Casa Branca, segundo a agência de notícias EFE.

A imprensa acompanhou também a chegada à residência presidencial do secretário de Estado, Marco Rubio, e do secretário da Defesa, Pete Hegseth.

A reunião inclui ainda os enviados do Presidente norte-americano Donald Trump, Steve Witkoff e o seu genro Jared Kushner, que acompanharam Vance na primeira ronda negocial, em 11 de abril na capital do Paquistão, país mediador das conversações.

Esta reunião de alto nível surge numa fase de incerteza sobre a realização de uma segunda reunião, quando, segundo a mediação paquistanesa, o cessar-fogo de duas semanas entre as partes expira às 00:50 (hora de Lisboa) de quarta-feira, e dez minutos mais tarde, de acordo com o Irão.

O Governo iraniano não confirmou oficialmente se vai enviar uma delegação ao Paquistão, enquanto os negociadores norte-americanos permanecem em Washington.

Em sucessivas declarações na segunda-feira e hoje, o Presidente norte-americano indicou que não pretende prolongar a trégua, alegando que espera alcançar um acordo com a República Islâmica.

De contrário, ameaçou que "muitas bombas explodirão".

Donald Trump recusou também levantar o bloqueio naval que os Estados Unidos impuseram aos portos iranianos, no seguimento do fracasso da primeira ronda negocial em Islamabad.

O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que liderou a delegação de Teerão no Paquistão, avisou na manhã de hoje que o seu país não aceitará "negociações sob a sombra de ameaças".

Ao fim do dia, a Guarda Revolucionária Islâmica ameaçou pelo seu lado paralisar a produção de petróleo nos países do Golfo caso o Irão seja atacado a partir dos seus territórios.

"Os nossos vizinhos devem saber que, se os seus territórios e instalações forem utilizados pelos inimigos para atacar a nação iraniana, podem dizer adeus à produção de petróleo no Médio Oriente", afirmou Majid Mousavi, comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária, citado pela agência de notícias Fars.

O bloqueio dos Estados Unidos, que já levou à captura de um navio iraniano no domingo, é uma das razões que levaram Teerão a equacionar a sua participação na próxima ronda negocial, ao mesmo tempo que mantém o estreito de Ormuz sob ameaça militar, uma situação que se prolonga desde o início do conflito e fez disparar o preço do crude.

No centro das discussões entre os dois países, está o futuro do estreito de Ormuz, o programa nuclear e de enriquecimento de urânio do Irão, bem como a produção de mísseis de longo alcance e apoio a milícias no Médio Oriente e ainda o descongelamento de ativos iranianos.