UE disponível para apoiar monitorização de cessar-fogo da ONU
A União Europeia manifestou-se hoje disponível para apoiar um mecanismo de monitorização de cessar-fogo das Nações Unidas no Sudão e afirmou que irá continuar a "utilizar todos os mecanismos" para que se alcance a paz, incluindo com novas sanções.
Em conferência de imprensa após uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), no Luxemburgo, Kaja Kallas frisou que, após três anos de guerra civil, o Sudão está a "enfrentar uma vaga sem precedentes de guerra e refugiados".
Neste contexto, Kallas referiu que a UE tem três prioridades: "impulsionar os esforços de cessar-fogo", "avançar com a transição civil" e "reforçar a responsabilização".
"Seria um passo importante que houvesse progressos na iniciativa da UE para proteger infraestruturas críticas e a UE, em conjunto com os Países Baixos, também se está a preparar para apoiar um mecanismo de monitorização de um cessar-fogo das Nações Unidas", afirmou.
A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança acrescentou ainda que, na reunião de hoje, os ministros chegaram a um acordo político para "impor novas sanções a quem está a beneficiar" da guerra no Sudão.
"Porque, enquanto poderes regionais estiverem a alimentar e a lucrar com a guerra, a guerra irá continuar", afirmou.
No final desta reunião, foi também divulgada uma declaração de Kaja Kallas na qual reitera o seu compromisso com a "unidade, soberania e integridade territorial do Sudão", rejeitando "qualquer tentativa unilateral para estabelecer um governo paralelo que possa levar à divisão do país".
Kallas ainda que a UE está "preparada para apoiar qualquer iniciativa de paz credível, incluindo opções para apoiar um mecanismo internacional de modernização", reiterando o apelo para que "atores externos parem de alimentar a guerra".
"A UE irá usar todas as ferramentas ao seu dispor -- incluindo a diplomacia e medidas restritivas -- para pressionar no sentido da paz, incluindo examinar novas sanções contra a economia de guerra", refere, apelando ainda que se expanda a todo o Sudão os mandatos do Tribunal Penal Internacional e do embargo de armas da ONU, que se encontram atualmente limitados ao Darfur.
Na declaração, Kallas reafirma ainda o apoio da UE "às aspirações do povo sudanês pela democracia" e acrescenta que "só um processo civil representativo e independente pode restaurar a legitimidade do povo sudanês".
"A resiliência e a coragem do povo sudanês (...) continua a ser uma fonte de esperança e merece o nosso maior respeito. Há muito que é urgente acabar com este conflito devastador", afirma.
A guerra entre o exército do Sudão e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês), iniciada a 15 de abril de 2023, mergulhou o país na pior catástrofe humanitária do planeta, segundo a ONU, e, de acordo com estimativas dos Estados Unidos, cerca de 400.000 pessoas podem ter perdido a vida durante o conflito.
O conflito no Sudão interrompeu a transição que havia começado após a queda do regime de Omar al-Bashir, em 2019, que já estava enfraquecido após o golpe que depôs o então primeiro-ministro, Abdalla Hamdok.
Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mais de 4.300 crianças foram mortas ou mutiladas na guerra e pelo menos oito milhões ainda não frequentam a escola.