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Bolieiro anuncia grupo de trabalho com trabalhadores sobre venda do 'handling' da SATA

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O presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, anunciou hoje a criação de um grupo de trabalho para acompanhar a privatização do "handling" da SATA, após uma reunião com trabalhadores, que se queixaram da falta de diálogo.

"Houve uma queixa relativamente à necessidade de mais diálogo e mais informação. A coisa com que me comprometi foi a de assegurar que haja, quer por parte do governo, quer por parte do conselho de administração [da SATA], franca abertura para diálogo e verificação das preocupações dos trabalhadores", afirmou.

José Manuel Bolieiro falava aos jornalistas após uma reunião na sede da Presidência do Governo Regional, em Ponta Delgada, com elementos da Comissão de Trabalhadores da SATA Air Açores, do Sindicato Nacional Dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC), do SITAVA (Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos) e do representante dos trabalhadores na administração da companhia aérea.

O líder do executivo regional (PSD/CDS-PP/PPM) considerou "legitimas as preocupações" daquelas estruturas e anunciou a criação de um grupo de trabalho para que os trabalhadores possam acompanhar a privatização do 'handling' (serviço de suporte em terra).

"O que assegurei foi que podemos construir, para além do trabalho direto entre a administração, sindicatos e comissão de trabalhadores, um grupo de trabalho que possa fazer um acompanhamento relativamente a essa matéria", avançou.

Bolieiro disse querer formar o grupo com "máxima celeridade", prometendo "relatórios de trabalho" e "regularidade de reunião".

Questionado se a privatização do 'handling' da SATA é irreversível, o líder do Governo dos Açores lembrou o compromisso com a Comissão Europeia quanto ao plano de reestruturação da SATA.

"Temos de cumprir os compromissos do plano de reestruturação. Estamos a fazê-lo. Já verificámos que o mercado deu as respostas que deu. Temos essa obrigação de procedimento", assinalou.

Sobre as queixas dos trabalhadores quanto à demora na marcação do encontro, Bolieiro apontou motivos de agenda.

"A agenda é o que é. Não se trata nunca de uma recusa de diálogo e concertação. Sabem bem. Sou conhecido como o presidente do governo dialogante".

No final, o dirigente do SINTAC Filipe Rocha afirmou que o Governo Regional "percebeu as dificuldades" dos trabalhadores e adiantou que existe margem para "reavaliar" o pré-aviso de greve parcial do 'handling' (às duas primeiras e duas últimas horas dos turnos) marcada para 24 a 30 de abril.

"Há condições para reavaliarmos do nosso lado as nossas ações reivindicativas. Essas ações também dependem do mandato que temos dos nossos associados", destacou.

Também Vítor Mendes do SITAVA revelou que a estrutura vai fazer uma "avaliação com os associados" para analisar o encontro com o presidente do Governo Regional e elogiou a "abertura de uma porta de diálogo".

"Mais tranquilos nunca poderemos estar porque a situação é demasiado conturbada. É um processo que se arrasta há quatro anos. Já tem o seu desgaste de tempo de um plano de reestruturação que, no nosso entender, temos sérias dúvidas que seja benéfico", ressalvou o sindicalista.

Já o representante da Comissão de Trabalhadores Dário Ponte considerou a abertura manifestada por Bolieiro um "avanço no bom caminho", mas reiterou a oposição à privatização do "handling".

"O que diz a diretiva europeia é que há necessidade de haver uma separação contabilística da empresa, o que não é necessariamente a venda a um privado. Estamos a tentar o desfazer de um monopólio público para bem da região -- não é para bem dos trabalhadores da SATA, é para bem da região -- e entregar a um monopólio privado", alertou.