Jardim critica “trapalhada” na mobilidade
Alberto João Jardim apontou a mobilidade aérea como o principal problema actual, criticando alterações ao modelo e associando-as a uma maior centralização de poderes na União Europeia após a crise de 2008.
“Mexeram no que estava certo. Em vez de discutir baixar o preço, fizeram uma trapalhada”, afirmou, considerando que a questão das viagens entre a Madeira e o continente está hoje a criar “fracturas” políticas desnecessárias.
O ex-presidente do Governo Regional sustenta que o problema resulta de decisões recentes que complicaram um sistema que, na sua leitura, funcionava. “Quem fez a trapalhada que resolva”, atirou, numa crítica directa às mudanças introduzidas no modelo de mobilidade na Assembleia da República.
A partir deste tema, Jardim alargou a análise ao funcionamento da própria União Europeia, defendendo que houve um recuo no peso das regiões após a crise financeira. “Antes da crise de 2008 queria-se dar mais poderes às regiões. Depois, os Estados voltaram a concentrar tudo”, disse.
Na sua visão, essa inversão está na origem de uma Europa com menor capacidade de resposta. “É tudo decidido pelos Estados, houve uma regressão na regionalização”, afirmou perante uma plateia de jovens alunos.
Ainda assim, sublinhou que a integração europeia foi decisiva para o desenvolvimento da Madeira, apontando exemplos como o aeroporto. “Sem a União Europeia não se podia fazer”, referiu, defendendo que as novas gerações devem perceber esse impacto.
As declarações foram proferidas na Ponta do Sol, numa sessão promovida pela Escola Básica e Secundária local, no âmbito das comemorações dos 40 anos de Portugal na União Europeia.