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Explicador Madeira

Sabia que pode reportar avistamentos de alforrecas?

Essa informação é pertinente para o programa de monitorização de espécies gelatinosas que é desenvolvido pelo IPMA, através do projecto GelAvista

A caravela-portuguesa (Physalia physalis) apresenta um flutuador em forma de balão e é uma espécie que ocorre com frequência nos mares da Madeira. 
A caravela-portuguesa (Physalia physalis) apresenta um flutuador em forma de balão e é uma espécie que ocorre com frequência nos mares da Madeira. , Foto Shutterstock

O episódio deste fim-de-semana, que pintou de escuro a praia do Porto Santo, com um incontável número de veleiros, não foi reportado na aplicação GelAvista, embora a informação tenha chegado ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) através de email, conforme deu conta, ao DIÁRIO, a coordenadora do programa, Antonina da Costa.

O recente arrojamento em massa de ‘veleiros’ na praia do Porto Santo voltou a chamar a atenção para a presença de organismos gelatinosos no mar.

Mas sabia que qualquer pessoa pode ajudar a monitorizar estas espécies? O processo é simples e pode ser feito com recurso a uma aplicação que poderá instalar no seu telemóvel, contribuindo, dessa forma, para a produção de conhecimento científico actualizado e pertinente. 

Saiba aqui quais poderão ser os resultados desse seu contributo e como deve proceder. 

O episódio que se registou este fim-de-semana, no Porto Santo, com o arrojamento de uma quantidade anormal de veleiros ('Velella velella'), uma medusa com tentáculos curtos e pouco urticantes, sem grande perigo para as pessoas, não foi reportado através da aplicação GelAvista.

Isso mesmo foi apontado ao DIÁRIO por Antonina dos Santos, a coordenador do projecto desenvolvido pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), desde 2016, que visa a monitorização dos organismos gelatinosos ao longo da costa portuguesa, incluindo na Madeira e nos Açores.

Para facilitar o processo de colaboração das pessoas neste programa de ciência-cidadã, foi disponibilizada uma aplicação móvel, que, depois de instalada no telemóvel, facilita o reporte de avistamentos destes organismos. Desta forma, tem sido possível colmatar a falta de conhecimento sobre as espécies que ocorrem na Região e em todo o País. 

Assim, os cidadãos são convidados e incentivados a contribuir, dando conta das espécies que encontram no decorrer das suas actividades desportivas ou de lazer, como passeios à baira-mar, mergulho, vela, surf, entre outras, bem como nas suas actividades profissionais, por exemplo, quando ligadas à pesca. 

Antonina dos Santos destaca o envolvimento das pessoas, notando que a participação não tem sido uniforme, realçando que o maior número de reportes tem acontecido, por regra, no final do Inverno ou no decorrer da Primavera, alturas em que é mais comum a presença destas espécies gelatinosas nas águas da Região. 

Nestes 20 anos de programa, 2020 somou o maior número de avistamentos.  Ainda assim, no ano passado, foram reportadas 115 ocorrências desta natureza na costa da Madeira e do Porto Santo.

O Funchal surge como o concelho com maior prevalência, uma situação que a coordenadora do GelAvista explica com base na colaboração estreita com a Estação de Biologia Marinha do Funchal. 

Quanto às espécies mais reportadas pelos cidadãos nas águas madeirenses, Antonina dos Santos diz surgur à cabeça a caravela-portuguesa, logo seguida da veleiro e das águas-vivas. 

"No ano passado, tivemos mais avistamentos na Madeira. Mesmo este Inverno, em que os avistamentos foram muito limitados em todo o País, devido às várias tempestades, sem reportes nos Açores ou no continente português, mas, na Madeira, fomos tendo sempre caravelas-portuguesas e veleiros a aparecer", salienta a investigadora. A par disso, nota que, olhando ao histórico, estas espécies costumam surgir primeiro na Madeira e passadas uma ou duas semanas aparecem no continente, situação que este ano não se tem verificado. "Este ano não tem acontecido isso, mas ainda não sabemos a razão", justificando com a necessidade de mais análise dos vários factores. 

Quanto ao fenómeno que ocorreu este fim-de-semana no Porto Santo, Antonina dos Santos atribui a ocorrência aos ventos e às correntes de superfície, sobretudo por se tratar de uma espécie que não tem capacidade de se afastar da costa quando arrastada. E o facto de esta ser uma altura do ano em que a veleiro é mais comum nas águas portuguesas fez com que houvesse uma maior quantidade a dar à costa. 

E para que fenómenos como este possam ser mais facilmente estudados, a coordenadora do GelAvista apela ao contributo dos cidadãos, incentivando à utilização da aplicação para o telemóvel, disponível gratuitamente tanto para Android, como para Iphone. 

Nesse sentido diz que embora não tenham sido feitos reportes no fim-de-semana, com o auge do evento no Porto Santo, alerta para a importância de continuar a dar conta do evoluir da situação, nomeadamente para que seja conhecida a duração do evento. 

Os reportes através da aplicação GelAvista devem incidir tanto sobre organismos gelatinosos encontrados no mar, como os avistados já na costa, no areal ou no calhau. Regra que se aplica a qualquer situação, tanto na Madeira, como no Porto Santo. 

Com os registos feitos através da aplicação, reforça Antonina da Costa, é possível alertar os outros utilizadores dessa ferramenta para a ocorrência de espécies mais perigosas nas praias ou zonas ribeirinhas, bem como deixar algumas recomendações e cuidados a ter nessas situações. 

A par disso, a informação recolhida é fundamental para a produção de conhecimento científico actualizado sobre estas temáticas, permitindo uma monitorização mais adequada destes organismos. Além dos trabalhos científicos, são produzidos, com regularidade, outros materiais informativos, como relatórios ou dados estatísticos.