Uma liderança a dois ou mais do que isso…
Já se fala em golpe palaciano. Outros, dizem que é para marcar espaço e lugar para daqui a dois anos. Chame-se o que se quiser, conjeture-se, mas a verdade é que, para ser simpático, é estranha a situação no PS Madeira. Ou talvez não, atendendo a que os socialistas da Madeira são useiros e vezeiros em “tiros no pé” e em guerras internas, fratricidas, mais ou menos públicas.
Desta vez, é a rapidez e a vontade com que Paulo Cafôfo aparece a comentar tudo e todos. Umas vezes antes de Célia Pessegueiro, que á líder do PS, outras vezes depois.
Mas, já se sabe que Paulo Cafôfo vai falar: nas suas redes sociais (dando um lamiré para os jornais), em conferências de imprensa, em comunicados, em notas de pesar (sim, até em notas de pesar) ou até em votos de congratulação, como aconteceu ontem, em relação à nomeação do novo Representante da República.
Ora, comentaram os líderes dos partidos mais representativos, Célia Pessegueiro também. E não é que Paulo Cafôfo também. E até antes da sua líder partidária….
Não espanta, portanto, que se fale em uma liderança a dois: a de Paulo Cafôfo, que, repetindo o passado, saiu, mas não quer sair… E a de Célia Pessegueiro, que não consegue, desta forma, se impor como líder e surge, quase sempre, como uma figura em segundo plano.
De tal modo que desafio os leitores a se deslocarem junto da população e questionarem sobre quem é o atual líder do PS. Veriam que muita gente iria dizer Paulo Cafôfo… O que é mau para Célia Pessegueiro.
Penso que esta, muitas vezes, deve-lhe apetecer repetir o que disse Juan Carlos, então Rei de Espanha, há anos, dirigindo-se a Nicolás Maduro: “Porque não te calas?”.
Mas, Paulo Cafôfo não só não se cala, nem parece fazer intenções de alterar estratégia. Aliás, até fala mais agora e mostra-se mais ativo do que nos anos em que esteve como presidente do PS da Madeira.
E, como na política, não costuma haver tanto deslize, a verdade é que cada vez mais parece que Paulo Cafôfo quer marcar a agenda. De forma que, daqui a dois anos, em vésperas de eleições regionais, possa aparecer como putativo candidato a presidente do partido e do Governo Regional. Já fez isso com outros (que o digam Emanuel Câmara, Carlos Pereira e até Sérgio Gonçalves). Todos atropelados na hora decisiva.
Ângelo Silva