Animad 'recua' e participa no Cortejo da Flor embora continue a apontar "censura artística"
A Animad confirmou, através da redes sociais, que vai participar no Cortejo da Flor, agendado para Maio, pese embora continue a apontar "censura artística" por parte da Direcção Regional do Turismo. Em causa está a exigência de supressão de um trecho da música 'Berghain', de Rosalia, que será usada na coreografia da associação. A Animad vai acatar a decisão e retirar esse excerto da música.
Orlando Vieira, que tinha afirmando que a participação da Animad não iria acontecer, explicou que o 'recuo' na decisão está relacionado com os cerca de 150 participantes, "que com dedicação e entrega, têm trabalhado ao longo dos últimos meses".
"Não posso, no entanto, deixar de expressar, de forma clara e firme, o nosso profundo desagrado pela forma como todo este processo foi conduzido pelos mesmos", aponta o responsável pelo projecto da Animad, criticando ainda "a ausência de resposta atempada por parte da entidade competente, seguida de uma posição rígida e inflexível" que "levanta sérias questões sobre transparência, responsabilidade e respeito institucional".
"Mais grave ainda, foram prestadas informações incorretas em comunicações formais, nomeadamente no que diz respeito a datas, o que apenas reforça a percepção de desorganização e tentativa de justificar falhas evidentes que teimam em cobrir", atira.
Para Orlando Vieira, o que está em causa ultrapassa uma simples discordância artística, "trata-se de um caso claro de censura artística, sustentada em critérios subjectivos e opiniões de natureza pessoal, que em nada deveriam condicionar a liberdade criativa". "Quando uma instituição pública, que deveria promover e proteger a cultura, opta por limitar a expressão artística, está a contribuir para um ambiente de repressão, silenciamento e autocensura", atira.
Para um artista, a censura não é apenas uma imposição externa é uma experiência profundamente desestabilizadora. É sentir que a sua voz é desvalorizada, que o seu trabalho é reduzido a interpretações simplistas e que meses de dedicação podem ser colocados em causa por decisões arbitrárias. Orlando Vieira
O responsável indica que o projecto foi aprovado em 2025, "sem qualquer tipo de restrição ou ressalva". "Acresce ainda o facto de o protocolo referido publicamente não se encontrar, até à data, formalizado, o que evidencia, mais uma vez, falhas estruturais na gestão do processo", aponta.