ALESTE - “A Estrada que Nunca Chega”
Durante anos, o concelho “ALESTE” esteve entregue a uma liderança fraca que prometeu mundos e fundos… e não entregou praticamente nada. Foi uma autarquia que funcionou como uma máquina de anúncios: muita promessa, muita placa inaugurada antes do tempo, muito “agora é que é”. Na prática, a gestão anterior deixou-nos uma coleção de intenções por cumprir e obras eternamente adiadas. Parecia uma daquelas fitas antigas em que a personagem principal fala, fala, fala — mas nunca sai do mesmo sítio. A população merecia melhor do que esta política de vitrines vazias e expectativas frustradas. Lembram-se da nova esquadra da polícia?
Com o novo executivo municipal, muitos de nós voltámos a acreditar que talvez fosse desta. Há mais proximidade, mais escuta, mais presença. É verdade, nota-se diferença. Mas quem vive no terreno sabe que boa vontade não resolve tudo. As obras que fazem falta continuam sem arrancar, e a vida das pessoas não pára enquanto os estudos, análises e pareceres se acumulam.
Depois há casos que ofendem o bom senso. A via litoral da Ribeira Brava é um deles. Uma estrada construída com dinheiro público, paga por todos, que deveria servir de alternativa segura ao túnel da via expresso em caso de incêndio, acidente ou encerramento de emergência. É, literalmente, a Única rota de evacuação à superfície. No entanto, fecha vezes demais para festas, arraiais e eventos municipais. Nada contra a cultura popular, mas a segurança não pode ser secundarizada ao ponto de se transformar uma via essencial num recinto de animação. Se um dia houver um incidente grave dentro do túnel — e todos sabemos que já os houve no passado — quem será responsabilizado por impedir que exista uma saída segura e operacional? Investiram-se milhões numa estrada que, quando mais poderia ser necessária, está bloqueada por decisões municipais. Isto é inaceitável.
E chegamos ao ponto que mais dói: a via rápida para os Canhas, eternamente prometida e eternamente adiada. É difícil explicar a quem não vive aqui o que esta obra significaria. Não se trata apenas de encurtar trajetos. Trata-se de segurança, de acesso a serviços, de qualidade de vida. Trata-se de dignidade. Os Canhas precisam desta ligação urgente, e isso é sabido por todos há décadas. Mesmo assim, ano após ano, continuamos à espera — sempre à espera.
Se o novo executivo quer mesmo mostrar que o passado ficou para trás, então esta é a prova de fogo. Não bastam palavras, nem reuniões, nem declarações de intenção. O que a população quer, e merece, é ação concreta. Ver máquinas no terreno. Ver obra a avançar. Ver mudança real.
J. R.