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Centenas de pessoas manifestam-se em Lisboa para assinalar o dia da visiblidade trans

Foto Facebook.com/dezanove
Foto Facebook.com/dezanove

Centenas de pessoas manifestaram-se hoje no Largo do Intendente, em Lisboa, contra o recuo dos direitos humanos e para assinalar a marcha da visibilidade trans, cuja data se celebra em 31 de março.

Na manifestação, que começou pelas 15:30 no Largo do Intendente e que segue para a Ribeira das Naus, ouviram-se palavras de ordem como "abaixo o patriarcado" e em cartazes lia-se, entre outras mensagens de protesto, "protect trans kids (protejam as crianças trans)".

Uma ativista de uma das associações organizadoras da marcha, Salema Yahudah, da Transmutar, considerou que as medidas recentemente aprovadas na Assembleia da República são "medievais" e acrescentou que as "propostas são completamente inúteis".

"As propostas são completamente inúteis, nós sabemos que este é apenas o início de coisas muito maiores. Então, nós marchamos agora para mostrar o nosso descontentamento e para mostrar que isso não vai acontecer", afirmou.

A ativista disse acreditar que "sempre que uma lei como esta é aprovada, eventual e inevitavelmente afeta migrantes e mulheres".

Salema Yahudah apelou a que se pense com "humanidade e não com a ideologia" e pediu para que as pessoas não acreditem na "narrativa que foi escrita" sobre pessoas trans.

Outra ativista, Daniela Bento, reiterou que "os projetos de lei que foram votados na Assembleia e aprovados são projetos de lei que atentam contra os direitos das pessoas trans e intersexo", e considerou ser importante que as pessoas se juntem para "lutar por um movimento que é de facto importante".

"Em 2018, nós conseguimos uma lei que de facto nos protege, que nos ajuda na maior parte dos casos. E, neste momento, estão a tentar retirar-nos esses direitos", acrescentou.

Nelson Delgado, que se manifestava, disse em declarações à Lusa que "neste momento o país tem questões tão importantes como a crise da habitação, como os salários precários, como as más condições, como as pequenas empresas a fecharem todos os dias" e apelou a que "deixem as pessoas com os direitos que já tinham a viver a sua vida, não compliquem mais a vida para as pessoas".

O protesto acontece uma semana depois do PSD, Chega e CDS-PP terem aprovado três projetos de lei na Assembleia da República que implementam a obrigatoriedade de validação médica para a mudança de nome e género no registo civil.

Os projetos de lei aludem ainda a tratamentos médicos em casos de disforia de género em jovens com menos de 18 anos.