Netanyahu confirma expansão de "zona de segurança" no Líbano
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, confirmou hoje que Israel está a expandir a "zona de segurança" no Líbano para "eliminar a ameaça de mísseis" do grupo xiita Hezbollah, segundo um vídeo divulgado pelo gabinete governamental.
"Criámos uma verdadeira zona de segurança que impede qualquer infiltração na Galileia e na fronteira norte [de Israel com o Líbano]. Estamos a expandir esta zona para eliminar a ameaça dos mísseis", disse o chefe do Governo no vídeo.
Na terça-feira, o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, já tinha indicado que o exército vai criar "uma linha de defesa avançada" de cerca de 30 quilómetros até ao rio Litani, no sul do Líbano, justificada como uma medida de segurança face aos ataques aéreos do Hezbollah contra Israel.
O Hezbollah retomou os seus ataques aéreos contra Israel em 02 de março, dois dias após o início da ofensiva israelo-americana contra o seu aliado Irão.
Em resposta, Israel desencadeou uma forte campanha de bombardeamentos contra alegados alvos do Hezbollah no Líbano, ao mesmo tempo que as suas tropas terrestres expandiram as posições militares que já ocupavam no sul do país desde o conflito anterior.
Pelo menos 1.072 pessoas morreram desde o início do mês no Líbano, incluindo 121 crianças, e outras 2.966 ficaram feridas, segundo o último balanço oficial das autoridades de Beirute, que registam também mais de um milhão de deslocados.
O Presidente libanês, Joseph Aoun, procurou um cessar-fogo negociado com Israel, mas até agora sem sucesso,
O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, voltou a exigir na terça-feira ao Governo libanês que "tome medidas concretas e significativas" contra o Hezbollah, depois de Benjamin Netanyahu ter advertido nas últimas semanas que ou Beirute tratava do assunto ou Israel vai fazê-lo no seu lugar.
"A questão da dissolução do Hezbollah está mesmo à frente dos nossos olhos. Está também relacionada com a campanha geral contra o Irão, que continua a todo o vapor, apesar das notícias publicadas na imprensa", declarou hoje o primeiro-ministro israelita.
O líder do Hezbollah, Naim Qassem, condenou hoje uma alegada tentativa de criação de um "Grande Israel" abrangendo território libanês e afirmou que só resta ao movimento confrontar estes planos ou entregar-se.
"Já não é segredo que existe um perigoso projeto israelo-americano, o 'Grande Israel', que se baseia na ocupação e expansão do Eufrates até ao Nilo, incluindo o Líbano", declarou o secretário-geral do grupo político e militar aliado do Irão em comunicado.
Naim Qassem defendeu que, neste contexto, o confronto com o exército israelita é uma responsabilidade nacional de todos os libaneses, incluindo o Governo, o exército e as diversas comunidades religiosas e partidos políticos.
"Ficou claro que temos duas opções: ou nos rendemos e renunciamos à nossa terra, dignidade, soberania e ao futuro das próximas gerações, ou enfrentamos e resistimos inevitavelmente à ocupação para a impedir de atingir os seus objetivos", afirmou.
Israel e o Hezbollah chegaram a um acordo de cessar-fogo em novembro de 2024 para terminar mais de um ano de confrontos diretos, no seguimento da guerra na Faixa de Gaza, mas o entendimento nunca foi respeitado por completo.
A missão de paz da ONU no Líbano (FINUL), que opera numa região no sul do país, junto à fronteira com Israel e supostamente vedada tanto aos militares israelitas como aos combatentes do Hezbollah, termina o seu mandato este ano.