República Islâmica confirma e promete vingar morte de Larijani
O Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, confirmou hoje a morte de Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, num ataque aéreo conjunto dos Estados Unidos e Israel, que prometeu vingar.
Num comunicado divulgado pela agência de notícias oficial Mehr, Pezeshkian lamentou a morte de Larijani, descrevendo-o como uma "figura distinta e valiosa, fonte de amplos e diversos serviços e realizações em várias áreas da República Islâmica".
"O seu martírio foi a recompensa pelos seus incansáveis esforços ao longo de todos estes anos, e não há dúvida de que uma severa vingança aguarda os terroristas criminosos que mancharam as suas mãos com o sangue dos mártires oprimidos, mas sábios e firmes, da terra sagrada do Irão durante os recentes ataques terroristas", acrescentou.
Num outro comunicado, o Conselho Supremo anunciou que Ali Larijani "recebeu a doce graça do martírio".
No ataque, "ao amanhecer", morreram também um colaborador e o filho de Ali Larijani, além de vários guarda-costas, adiantou a mesma fonte.
A morte de Larijani tinha sido anunciada pelo governo de Israel ao início do dia.
Larijani foi o 'braço direito' do anterior líder supremo, Ali Khamenei, morto no primeiro dia da campanha de bombardeamentos israelo-americanos, em 28 de fevereiro, e sucedido pelo seu filho Mojtaba Khamenei, que ficou ferido no mesmo ataque, segundo relatos de várias figuras ligadas ao regime, e não aparece em público desde a sua nomeação há mais de uma semana.
Considerado uma das figuras mais influentes do sistema iraniano, Larijani tem sido descrito por meios de comunicação árabes como "o homem mais importante apenas atrás de figuras-chave como Mojtaba Khamenei".
A última vez que apareceu em público foi na sexta-feira, quando participou, juntamente com outros responsáveis e milhares de pessoas, numa marcha na capital iraniana para desafiar as ameaças ao Irão e manifestar a rejeição da guerra contra o país.
Em fevereiro de 2026, antes da ofensiva norte-americana e israelita, Ali Khamenei designou-o como um dos responsáveis por gerir o país em caso da sua morte.
Larijani figura ainda entre os responsáveis iranianos sancionados pelos Estados Unidos em janeiro de 2026 pelo papel na repressão de protestos maciços no país.
Também hoje, e depois de um anúncio de Israel, a Guarda Revolucionária do Irão confirmou a morte do líder da milícia Basij, general Gholamreza Soleimani.
A força ideológica do Irão declarou no seu 'site' oficial, Sepah News, que o oficial de alta patente "foi martirizado num ataque terrorista perpetrado pelo inimigo americano-sionista".
Ao longo do dia, as forças israelitas anunciaram que voltaram a atacar membros e posições da milícia Basij em dez locais de Teerão.
"Após a eliminação do comandante da Basij, a força aérea atacou soldados e posições (...) em toda a cidade de Teerão nas últimas horas", segundo um comunicado.
Nesta ofensiva aérea, foi "alvejada sistematicamente a infraestrutura de comando" das unidades paramilitares iranianas, que, de acordo com os militares israelitas, tinham transferido as suas operações para novos quartéis-generais, que foram por sua vez posteriormente atacados.
"Os recentes ataques, combinados com a eliminação do comandante, infligem danos significativos e duradouros às capacidades da unidade Basij", declarou o exército israelita.
Israel responsabiliza a milícia Basij pelas principais operações de repressão na República Islâmica, tendo empregado "violência extrema e prisões em massa" contra os manifestantes que realizaram em janeiro passado amplos protestos contra o regime teocrático, que resultaram em dezenas de milhares de mortos e detidos.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação, o Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.
Incidentes com projéteis iranianos foram também registados em Chipre, na Turquia e no Azerbaijão.